Pouca esperança de encontrar sobreviventes na favela do Cairo

A esperança de achar sobreviventes era quase nenhuma neste domingo no Cairo, no dia seguinte ao desizamento de terra em uma favela da periferia que deixou pelo menos 33 mortos em meio a duras críticas contra as autoridades egípcias pela ineficiência das equipes de socorro.

AFP |

"Há poucas esperanças de encontrar alguém com vida", comentou um policial no local. "O calor e a poeira são insuportáveis e deve ser ainda pior para quem está soterrado", afirmou.

Pelo menos 33 pessoas morreram e mais de 40 ficaram feridas neste sábado no deslizamento de pedras enormes do morro de Moqattam num bairro pobre do Cairo.

Cerca de 40 casas deste bairro pobre e populoso chamado Manshiyet Nasser, a nordeste do Cairo, foram destruídas pelas pedras que rolaram morro abaixo às 08H50 local, quando algumas pessoas ainda estavam dormindo.

De acordo com o responsável dos serviços de socorro, que não quis se identificar, as operações são lentas devido à falta de máquinas e guindastes.

O governador do Cairo, Abdelazim Wazir, foi ao local rapidamente para acompanhar de perto as operações de resgate.

O presidente Hosni Mubarak ordenou a preparação de alojamentos para as pessoas que perderam suas casas. Também ordenou que as famílias das vítimas recebam uma indenização de 600 euros.

As autoridades locais estão ordenando que os habitantes abandonem a zona para permitir a derrubada de várias casas que correm risco de desabar.

Alguns grupos revoltados jogaram pedras contra a polícia, responsabilizando as autoriades pela demora no socorro e a falta de equipamento. Habitantes e socorristas passaram a noite toda escavando com as próprias mãos na esperança de achar sobreviventes.

A maioria das casas e pequenas lojas deste bairro, considerado "informal" porque desobedece a todas as regras, é mal construída. Algumas casas são de três ou quatro andares.

O morro de Moqattam é calcáreo e nele existem várias favelas, onde se estabeleceram os "zabbalin", uma comunidade copta (cristãos egípcios) que vivendo do recolhimento e seleção do lixo produzido pelos 20 milhões de habitantes do Cairo.

O desabamento de casas e prédios é freqüente no Egito, onde inúmeros imóveis foram construídos sem autorização.

Em dezembro de 2007, 35 pessoas morreram no desabamento de um edifício de 12 andares em Alexandria, no norte do Egito.

A explosão demográfica, com três nascimentos por minuto, a ausência de planejamento urbano e a corrupção considerada endêmica provocou um desenvolvimento desordenado dos bairros construídos fora dos padrões de segurança.

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