Londres, 24 jan (EFE).- As potências ocidentais acham que o Irã está ficando sem urânio, material básico para a fabricação de armas nucleares, motivo pela qual estariam se esforçando para impedir que o país compre mais carregamentos do mineral de produtores como o Brasil, afirma hoje o jornal The Times.

Na reportagem intitulada "Corrida para impedir que o Irã compre urânio", a publicação diz que as reservas iranianas de óxido de urânio, obtido a partir desse mineral, estão acabando.

Países como Reino Unido, Estados Unidos, França e Alemanha estariam fazendo intensos esforços diplomáticos para convencer os principais produtores a não venderem o produto ao Irã, acrescenta o "Times".

Antes do último Natal, o Ministério de Assuntos Exteriores do Reino Unido pediu confidencialmente a seus diplomatas no Brasil, no Cazaquistão e no Uzbequistão, os maiores produtores de urânio, que pedissem aos Governos desses países que não vendam urânio ao Irã, especialmente óxido de urânio, diz o jornal.

Segundo a reportagem, em pouco tempo podem acabar as reservas de urânio que o Irã adquiriu da África do Sul na década de 70.

O Irã, acrescenta a publicação, explora suas próprias minas de urânio, mas não tem mineral suficiente para manter um programa nuclear.

O "Times" destaca que os esforços internacionais evidenciam o temor de que 2009 possa ser um ano importante para o programa nuclear iraniano.

A utilização do urânio com fins nucleares requer uma tecnologia muito complexa, mas os iranianos estão adquirindo esses conhecimentos, algo que preocupa o Ocidente, prossegue a reportagem.

David Albright, fundador do Instituto de Ciência e Segurança Internacional, com base em Washington, disse ao jornal britânico que atualmente o Irã tem urânio gaseificado suficiente para fabricar cerca de 35 bombas. Porém, as reservas de óxido de urânio do país podem acabar até o fim do ano. EFE vg/sc

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