Por Adrian Croft LONDRES (Reuters) - Seis potências mundiais anunciaram nesta quarta-feira que convidarão o Irã para conversações em busca de uma solução diplomática para a contenda sobre o programa nuclear na República Islâmica. Os Estados Unidos, numa mudança importante de postura, disseram que vão participar das próximas conversas.

EUA, Rússia, China, França, Alemanha e Grã-Bretanha disseram em um comunicado que vão pedir ao chefe de política externa da União Européia, Javier Solana, que convide o governo iraniano para uma reunião a fim de encontrar "uma solução diplomática para essa questão crucial".

O comunicado informou que outros membros do grupo, conhecido como o E3+3, saudaram o novo direcionamento da política norte-americana em relação ao Irã e a decisão de Washington de "participar integralmente no processo do E3+3 e comparecer a quaisquer outros encontros com representantes da República Islâmica do Irã".

A decisão norte-americana de participar de um diálogo direto com o Irã marca uma grande mudança na política, refletindo uma nova investida do presidente Barack Obama para um "novo começo" nos laços com Teerã.

O diplomata norte-americano Williams Burns participou das últimas conversações sobre o programa nuclear com o Irã em Genebra em julho do ano passado, mas a então secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, afirmara que a sua presença era um "evento único".

A política habitual dos EUA era a de não dialogar com o Irã a respeito do programa nuclear daquele país até que Teerã desistisse das atividades de enriquecimento de urânio, que, segundo o Ocidente, têm como objetivo desenvolver uma bomba atômica.

O Irã, quarto maior exportador de petróleo do mundo, diz que seu programa nuclear visa apenas gerar eletricidade.

"Exortamos o Irã a aproveitar essa oportunidade para se comprometer seriamente com todos nós num espírito de respeito mútuo", afirmaram as seis potências depois de um encontro de diplomatas do alto escalão em Londres.

A proposta das potências ocorre na véspera de o Irã comemorar o Dia Nacional Nuclear, quando analistas acreditam que o presidente Mahmoud Ahmadinejad anunciará o domínio do Irã sobre o estágio final de produção de combustível nuclear.

O chanceler iraniano não estava disponível para comentar a declaração das seis potências.

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