Potências discutem em Londres sobre Oriente Médio e programa nuclear do Irã

As grandes potências internacionais se reuniram nesta sexta-feira em Londres para discutir o estagnado processo de paz no Oriente Médio, assim como o polêmico programa nuclear iraniano.

AFP |

Os seis países envolvidos nas negociações sobre o programa nuclear iraniano (Estados Unidos, Rússia, China, França, Grã-Bretanha e Alemanha) chegaram a um acordo para apresentar uma nova proposta ao Irã em relação a seu programa nuclear, anunciaram seus representantes depois do encontro em Londres.

"Fico feliz em anunciar que chegamos a um acordo sobre uma oferta que será apresentada ao governo iraniano", declarou o ministro britânico das Relações Exteriores, David Milliband.

Segundo o ministro, a proposta foi elaborada para persuadir Teerã "dos benefícios de cooperar com a comunidade internacional".

"Vamos transmitir esta oferta, não vamos revelar os detalhes a ninguém a não ser o governo do Irã, e esperamos que (as autoridades iranianas) reconheçam a seriedade e a severidade com as quais examinamos este assunto", disse Miliband, acrescentando que os seis países esperam que Teerã responda em breve à proposta.

Há dois anos, esse grupo de seis países apresentou ao Irã uma série de propostas de cooperação civil, energética e diplomática, entre elas o fornecimento de urânio com objetivos civis, com a condição de que os iranianos renunciassem a suas atividades de enriquecimento de urânio - que, para as potências ocidentais, são destinadas à fabricação de armamento atômico, o que o Irã nega.

Por outro lado, o Quarteto para o Oriente Médio - composto por Rússia, Estados Unidos, União Européia e a ONU -, que se reuniu na manhã desta sexta-feira, fez um apelo a Israel e aos países árabes para que ajam de forma a retomar o processo de paz.

O Quarteto pediu que Israel interrompesse "todas as atividades relacionadas aos assentamentos" na Cisjordânia.

Em uma declaração divulgada após a reunião de Londres, o Quarteto também pediu a Israel que desative "os postos de controle construídos desde março de 2001" na Cisjordânia e que alivie o bloqueio imposto à Faixa de Gaza.

Destacando sua "profunda preocupação com as vítimas civis" em Gaza, e principalmente devido à "morte recente de uma mãe e de quatro de seus filhos", o Quarteto pediu que "a assistência de emergência e humanitária" seja mantida em Gaza.

As críticas a Israel, mais duras do que de costume, foram feitas depois que várias organizações humanitárias procuraram o Quarteto para pedir o encontro em Londres, com o objetivo de pressionar as autoridades israelenses para encerrar o bloqueio da Faixa de Gaza.

Os mediadores também pediram aos países árabes que cumpram suas promessas de ajuda aos territórios palestinos. À reunião em Londres compareceram ainda os principais doadores da Autoridade Nacional Palestina (ANP).

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice - que participou do encontro, junto com os chefes da diplomacia da UE, Javier Solana, e da Rússia, Serguei Lavrov - deu a entender em Londres que os países árabes não fazem o suficiente para ajudar o povo palestino.

Os doadores estrangeiros haviam se comprometido em Paris a ajudar os palestinos economicamente com 7 bilhões de dólares, incluindo 1,5 bilhão destinados principalmente para pagar salários de funcionários.

Do valor prometido, apenas 717 milhões foram liberados até agora, dos quais 500 milhões pela União Européia, Grã-Bretanha, Noruega, França e Estados Unidos, segundo dados do departamento de Estado americano.

Segundo essa fonte, as contribuições da Liga Árabe somam apenas 215 milhões de dólares, dos quais 91,6 milhões foram entregues pelos Emirados Árabes, 61,6 milhões pela Arábia Saudita e 62 milhões pela Argélia.

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