Potências da ONU fizeram coisas piores que o Irã, diz diplomata

Por Louis Charbonneau NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - Alguns membros do Conselho de Segurança da ONU já fizeram coisas infinitamente piores que o Irã, disse na sexta-feira o diplomata nicaragüense Miguel dEscoto, que preside a Assembléia Geral da ONU.

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"Há atualmente membros do Conselho de Segurança que fizeram coisas infinitamente piores do que o Irã jamais poderia fazer", disse o ex-chanceler do regime sandinista (1979-90), quando questionado em entrevista coletiva sobre a possibilidade de eleição do Irã para uma vaga temporária no Conselho, principal instância da ONU.

Instado a entrar em detalhes, d'Escoto -- histórico crítico dos Estados Unidos -- respondeu que "para bom entendedor, meia palavra basta".

Os Estados Unidos apoiaram a guerrilha direitista Contra que tentava derrubar o regime sandinista (marxista) no começo da década de 1980. Inicialmente, o apoio foi explícito, e passou a ser clandestino depois de proibido pelo Congresso dos EUA.

Um repórter perguntou a D'Escoto o que poderia ser pior do que dizer que Israel deveria sumir do mapa, como fez o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.

"Verbalmente, dificilmente poderia haver algo pior", admitiu ele. "Verbalmente. Mas o mundo não é destruído por palavras, e sim por ações . Dizer é uma coisa, cometer crimes contra os direitos soberanos e a independência de outro país é outra coisa. Acho que todos temos de concordar que ninguém morre por causa de palavras."

O Conselho de Segurança já aprovou três pacotes de sanções contra o Irã devido à sua recusa em suspender o enriquecimento de urânio, que o Ocidente teme que esteja sendo usado para o desenvolvimento de armas nucleares. Teerã diz que se trata de uma atividade pacifica.

No próximo dia 17, o Irã disputa contra o Japão na Assembléia Geral (que reúne todos os países da entidade) uma vaga temporária no Conselho de Segurança, em 2009 e 2010. O Japão é favorito na eleição.

O Conselho de Segurança tem 15 membros, sendo 10 temporários. Os cinco membros permanentes, únicos com poder de veto, são Estados Unidos, China, Rússia, França e Grã-Bretanha.

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