GENEBRA - Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU mais o Japão e a Coreia do Sul concordaram, nesta quarta-feira, com o esboço de uma resolução da Organização das Nações Unidas que pode aumentar as sanções contra a Coreia do Norte por seu recente teste nuclear, informou um diplomata.

O esboço da resolução será discutido em uma reunião com todas as 15 nações do Conselho de Segurança nesta tarde. A votação deve acontecer na sexta-feira, informou o diplomata, sob condição de anonimato.

Os sete países - os cinco membros permanentes do Conselho (China, Estados Unidos, França, Rússia e Grã-Bretanha), o Japão e a Coreia do Sul - tentavam há 16 dias chegar a um consenso sobre os termos de uma resolução condenando o teste nuclear efetuado pela Coreia do Norte no dia 25 de maio.

As novas sanções estudadas devem incluir um sistema reforçado de inspeções em alto mar dos cargueiros com destino ou em procedência da Coreia do Norte, a ampliação do embargo sobre as armas e mais sanções financeiras.

Rússia alerta para míssil

A Rússia tem a informação de que a Coreia do Norte planeja lançar mais um míssil balístico, mas não sabe quando isso vai ocorrer, informou nesta quarta-feira a agência russa de notícias Interfax, citando como fonte um militar de alta patente.

A notícia surgiu depois de o ministro da Defesa da Coreia do Sul, Lee Sang-hee, afirmar que as recentes ações da Coreia do Norte estavam relacionadas aos planos de sucessão do líder norte-coreano, Kim Jong-il, e ao mesmo tempo que na ONU as potências mundiais formatam um acordo sobre como punir o governo de Pyongyang.

A Coreia do Norte causou tensão na região e no mundo nas últimas semanas ao lançar mísseis, fazer ameaças de ataques à Coreia do Sul e realizar um teste nuclear, fatos que levaram as forças norte-americanas e sul-coreanas a elevar o alerta militar na península a um de seus níveis mais altos desde a Guerra da Coreia (1950-53).

Aumentando ainda mais as preocupações, os militares russos disseram ter informação sobre planos para outro lançamento de míssil.

"Nós temos certa informação sobre o tipo e características do míssil. No entanto, não possuímos dados precisos sobre a hora", disse um militar de alta patente, segundo a agência Interfax.

Enquanto isso, o ministro da Defesa da Coreia do Sul, Lee Sang-hee, relacionou as ameaças do Norte e a intensidade da atividade militar ao fato de Kim Jong-il estar preparando o caminho para que um de seus filhos seja seu sucessor.

"Kim Jong-il está doente e tentando armar um plano de sucessão para transmissão de poder por meio da criação de tensão, enquanto ignora o desespero de seu povo, que passa fome, e o empobrecido estado da economia do país", disse o ministro sul-coreano em um pronunciamento às tropas, segundo afirmou um assessor militar nesta quarta-feira.

"O regime da Coreia do Norte é um grupo antiético, irresponsável e desumano, que põe sua própria sobrevivência acima das vidas e da felicidade do povo."

Parlamentares sul-coreanos disseram ter obtido da agência de espionagem da Coreia do Sul informações de que líderes do Norte começaram o trabalho de base para permitir que o filho mais novo de Kim, Jong-um, -- que estudou na Suíça -- assuma o poder.

A Coreia do Norte parecia estar pronta a ampliar as tensões com o disparo de um míssil de longo alcance que poderia atingir território dos EUA e mísseis de médio alcance capazes de chegar qualquer ponto na Coreia do Sul e a maior parte do Japão, disseram autoridades.

O enviado especial do governo norte-americano para a Coreia do Norte, Stephen Bosworth, disse em Nova York que os EUA farão o que for necessário para a segurança de seus aliados, mas não têm planos de invadir o Norte ou derrubar seu governo pela força.

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