Potências chegam a acordo sobre sanções ao Irã

Um dia após acordo anunciado por Brasil e Turquia, EUA declaram ter apoio de Rússia e China e enviam esboço de resolução à ONU

iG São Paulo |

AFP
Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, no Senado ao lado de secretário de Defesa Robert Gates (dir.) e do presidente do Estado-Maior Conjunto Michael Mullen
O governo do presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou nesta terça-feira que alcançou um acordo com outras potências mundiais, incluindo a Rússia e a China, para impor uma nova rodada de sanções contra o governo iraniano por seu controvertido programa nuclear. O anúncio é um claro repúdio a um acordo alcançado pelo Brasil e Turquia com o Irã na segunda-feira , quando Teerã se comprometeu a enviar seu urânio pobremente enriquecido ao exterior.

“Alcançamos um acordo em um forte esboço de resolução com a cooperação da Rússia e da China", disse a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, perante uma comissão do Senado dos EUA. Segundo ela, o acordo foi alcançado entre todos os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (EUA, Rússia, China, França e Alemanha) e a Alemanha. “Planejamos circular o esboço da resolução a todo o CS/ONU hoje”, disse.

Segundo a secretária de Estado americana, a quarta rodada de sanções será mais rígida do que as já estão em vigor.

O anúncio foi feito no dia posterior ao Irã declarar que enviaria praticamente metade de seu combustível atômico à Turquia , em uma tentativa de atenuar as preocupações sobre seu programa nuclear. Autoridades americanas, europeias e russas reagiram com grande ceticismo à proposta, ressaltando que ela ainda deixaria o Irã com suficiente urânio pobremente enriquecido para obter combustível para uma bomba nuclear se quisesse.

“Há muitas questões não respondidas em relação ao anúncio do Irã", disse Hillary perante a Comissão de Relações Exteriores do Senado.

Apesar de reconhecer os esforços feitos pelo presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e pelo primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan , ela afirmou que as seis grandes potências que se uniram para pressionar o Irã para desistir de seu programa de enriquecimento de urânio "estão atuando para convencer a comunidade internacional a apoiar uma resolução com fortes sanções que, em nossa opinião, enviam uma mensagem clara sobre o que esperamos do Irã".

Hillary não deu detalhes sobre quais sanções foram incluídas na resolução, mas autoridades dos EUA e da Europa vêm buscando medidas suficientemente fortes para convencer Teerã da solidariedade da comunidade internacional para impedir seu programa nuclear. Se aprovada, a resolução será a quarta rodada de sanções com o objetivo de induzir o Irã a desistir de quaisquer ambições de construir a bomba.

O Irã diz que seu programa de desenvolvimento nuclear tem o objetivo de produzir energia para uso civil, mas autoridades americanas e europeias revelaram atividades que não parecem relacionadas à simples produção de eletricidade, afirmando que Teerã não cumpriu com obrigações do Tratado de Não-Proliferação Nuclear para permitir inspeções a todas suas instalações nucleares.

Sanções ao Irã

Em março de 2008, a ONU impôs uma última rodada de sanções ao país, que incluem a proibição de viagens internacionais para cinco autoridades iranianas e o congelamento de ativos financeiros no exterior de 13 companhias e de 13 autoridades iranianas. A resolução também impede a venda para o Irã dos chamados itens de "uso duplo" – que podem ter objetivos pacíficos e militares.

Em 10 de junho de 2008, os Estados Unidos e União Europeia anunciaram que estariam dispostos a reforçar as sanções com medidas adicionais.

Treze dias depois, a UE concordou em congelar bens do maior banco iraniano, o Banco Melli, e estender a proibição de vistos para iranianos envolvidos no desenvolvimento do programa nuclear.

Ainda em junho daquele ano, o então representante da União Europeia para política externa, Javier Solana, apresentou, em nome de China, UE, Rússia e Estados Unidos, um pacote de incentivos econômicos ao Irã em troca de garantias de que o país não fabricaria armas nucleares.

* Com New York Times, AP e BBC Brasil

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