Potências aceitam retomar negociação nuclear com o Irã

UE responde à carta de negociador iraniano, enquanto país persa anuncia que permitirá acesso de observadores a complexo militar

iG São Paulo |

A União Europeia (UE) anunciou nesta terça-feira que os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) – EUA, Reino Unido, França, China e Rússia – e a Alemanha aceitaram a proposta feita pelo Irã para uma retomada das negociações nucleares.

O anúncio é feito horas depois de o Irã ter dito que vai permitir a entrada de uma missão da agência nuclear da ONU ao complexo militar de Parchin, vetada no mês passado . A notícia também é divulgada em meio à visita do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, aos Estados Unidos, no qual disse que o tempo do Irã está se esgotando e defendeu a soberania de Israel na decisão sobre um ataque contra Teerã.

Leia também: Netanyahu diz que tempo está se esgotando para o Irã

AP
Cadeira reservada ao Irã fica vazia durante reunião da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) em Viena, na Áustria (06/03)

Em comunicado, a chefe da chancelaria da EU, Catherine Ashton, disse ter respondido na terça-feira a uma carta enviada em fevereiro pelo negociador nuclear iraniano, Saeed Jalili. No documento, Jalili propunha novas discussões entre o Irã e as seis potências.

Catherine disse esperar que o Irã “entre em um processo de diálogo construtivo que traga progresso real e resolva as preocupações da comunidade internacional em relação ao programa nuclear iraniano”. As últimas negociações entre o governo iraniano e as potências ocorreu em janeiro de 2011, sem sucesso.

No mês passado a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) afirmou que fracassaram as negociações com o Irã sobre seu programa atômico, após a visita de uma missão do órgão a Teerã.

A equipe da agência nuclear da ONU esperava inspecionar a instalação militar em Parchin, a sudeste de Teerã, onde acredita haver uma câmera de contenção para testar explosivos, sugerindo um possível desenvolvimento de armas atômicas. O Irã, que afirma que seu programa nuclear tem fins pacíficos, impediu que a visita acontecesse.

Nesta terça-feira, a agência iraniana Isna disse que o acesso ao complexo militar será autorizado. No entanto, nenhuma data foi marcada e um comunicado da missão diplomática do Irã em Viena disse que “o processo de visitação consome muito tempo e por isso a entrada não pode ser permitida com frequência”.

Observadores da AIEA já visitaram Parchin em 2005, mas não tiveram acesso aos locais nos quais hoje acredita-se que a câmara de explosivos foi construída. A agência da ONU citou Parchin em um detalhado relatório divulgado em novembro que alimentou os temores do Ocidente de que o Irã esteja trabalhando para desenvolver uma bomba atômica.

O diretor-geral da AIEA, Yukiya Amano, disse na segunda-feira que o Irã havia triplicado sua produção mensal de urânio altamente enriquecido e os fiscais nucleares da agência tinham "sérias preocupações" com as possíveis dimensões militares das atividades atômicas do governo.

Com AP e Reuters

    Leia tudo sobre: irãprograma nuclearunião europeiaeuaonu

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG