Possível revolta de colonos deixa Exército israelense em alerta

Jerusalém, 5 dez (EFE).- O Exército israelense seguia hoje em estado de alerta máximo por temer uma revolta dos colonos judeus mais radicais na Cisjordânia, após a evacuação de um imóvel na cidade de Hebron por ordem judicial.

EFE |

O pior cenário que prevêem os altos comandantes militares israelenses é o de que as provocações à população palestina local por parte dos colonos judeus, como ocorreu nestas últimas semanas, termine em violência.

"Nos últimos dias ficou claro que os colonos mais extremistas não têm limites", diz uma alta fonte militar citada hoje pelo jornal israelense "Yedioth Ahronoth".

Ela acrescenta que "não há tanta distância entre a profanação de túmulos em cemitérios muçulmanos e pichações em mesquitas", como ocorreu na última semana, e "o massacre do Túmulo dos Patriarcas", na qual morreram 30 palestinos.

Um ataque como este último, cometido em 1994 por um médico colono de Hebron, Baruch Goldstein, é o que os militares israelenses consideram o estopim para uma revolta generalizada na Cisjordânia.

O Governo e o Exército israelenses pediram nas últimas horas à Autoridade Nacional Palestina (ANP) que tente manter a calma nos centros urbanos, sobretudo na saída das rezas nas mesquitas onde hoje, sexta-feira, é dia de descanso semanal.

Por enquanto, a única reação palestina aos fatos foi a de se manifestar hoje na Faixa de Gaza e exigir a todas as facções que respondam aos ataques dos colonos de Hebron, o núcleo mais duro da colonização judaica.

Nas últimas semanas os radicais judeus picharam mesquitas com xingamentos como "Maomé é um porco", profanaram túmulos muçulmanos, e atacaram civis palestinos, em um caso com arma de fogo.

"O fim de semana não transcorrerá em calma", assegura a fonte, que não descarta ataques também contra as forças de segurança.

A Agência Efe constatou que nas últimas 48 horas a segurança em torno da casa do chefe do Exército, Gaby Ashkenazi, foi reforçada.

A propriedade do imóvel evacuado está em disputa entre um grupo judeu de extrema-direita que diz tê-lo comprado, e seus proprietários palestinos, que asseguram que os documentos foram falsificados.

A Corte Suprema de Israel ainda deu sentença ao caso, mas desconfia de falsificação e no início do mês deu três dias ao Estado para evacuar os colonos.

Desde então milhares de militantes judeus de extrema-direita peregrinaram a Hebron para "defender" a propriedade, e impedir uma evacuação que finalmente ocorreu ontem, sem muitos problemas.

Horas depois, no entanto, grupos de colonos atacaram as forças de segurança, queimaram cerca de 20 carros e voltaram a atacar a população palestina, usando até arma de fogo. EFE elb/jp

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