Possível detenção de líder talibã cerca ofensiva de polêmica

Cabul, 16 fev (EFE).- Em meio a uma grande operação militar no sul do Afeganistão, funcionários do Governo dos Estados Unidos asseguraram hoje que o segundo no comando dos talibãs afegãos foi detido no Paquistão, o que foi negado pela insurgência.

EFE |

"As informações da detenção do mulá (Abdul Ghani) Baradar são falsas e infundadas. Ele não está no Paquistão, mas ocupado com a jihad (guerra santa) no Afeganistão", assegurou o porta-voz do movimento insurgente Mohammed Yousef Ahmadi, citado pela agência de notícias "AIP".

O porta-voz tachou de "propaganda" a notícia do "New York Times"" que, citando fontes do Governo dos EUA, assegurou que Baradar foi detido há poucos dias durante uma operação secreta dos serviços de inteligência paquistaneses e americanos na cidade de Karachi, no sul do Paquistão.

O ministro do Interior paquistanês, Rehman Malik, geralmente vago na hora de confirmar mortes ou detenções de líderes talibãs, minimizou em Islamabad a credibilidade da notícia e disse que, se alguma captura for feita, o Governo informará o país.

Um membro da inteligência ocidental no Paquistão assegurou à Agência Efe que o organismo confirmou a detenção de Baradar "através de contatos com fontes da insurgência talibã afegã".

"Karachi é um dos melhores lugares para passar despercebido, para se esconder. É um lugar onde se canalizam fundos obtidos pelo contrabando e o narcotráfico ao Afeganistão", explicou.

A fonte assegurou que Baradar, a quem descreveu como o líder que dirigiu as operações do movimento talibã no Afeganistão, "esteve no Paquistão há muito tempo".

"Não há comentários sobre o artigo", se limitou a dizer à Efe uma fonte dos serviços secretos paquistaneses (ISI).

"Não há nada", disse outro porta-voz da agência, comumente criticada por Washington por sua complexa política sobre os talibãs afegãos, vistos por uma parte da camada militar paquistanesa como um braço estratégico no país vizinho.

Em Cabul, um porta-voz do Palácio Presidencial disse não ter confirmação da detenção.

Conhecido como mulá Baradar Akhund, o suposto detido é considerado o chefe militar da insurgência e "número dois" do movimento liderado pelo mulá Omar. Durante o regime talibã afegão (1996-2001), ocupou o cargo de vice-ministro da Defesa.

Se confirmada a detenção, ele seria o insurgente de maior cargo capturado desde a invasão americana ao Afeganistão, no final de 2001.

A notícia coincide com uma grande ofensiva das forças internacionais e do Exército afegão sobre o reduto talibã de Marjah e áreas próximas, na província de Helmand (sul).

Em comunicado, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) informou hoje, no quarto dia da operação, que três civis morreram ontem em várias ações.

A Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf), missão militar sob comando da Otan, disse que os civis morreram "acidentalmente".

As vítimas se somam aos 12 civis que no domingo morreram depois de uma falha no lançamento de dois foguetes, que erraram o alvo original, um reduto talibã.

A Otan também informou ter matado ontem dez fundamentalistas em três combates separados enquanto os soldados perseguiam um "comandante talibã" de Helmand.

Uma força conjunta foi enviada ao distrito de Washir, em Helmand, depois que relatórios de inteligência revelaram a presença de insurgentes em vários veículos baleados.

Desde que começou no sábado a operação, a Isaf e as autoridades afegãs disseram ter se deparado com uma resistência "esporádica".

No entanto, o movimento talibã assegurou, em comunicado divulgado pela "AIP", que "as forças invasoras não fizeram nenhum avanço espetacular desde o começo da operação" e chamou a "imprensa mundial independente" a se aproximar para comprovar isso. EFE nh/rr

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