Posse de Lobo divide holofotes com saída de Zelaya em Honduras

O presidente eleito de Honduras, Porfirio Lobo, toma posse nesta quarta-feira em uma grande cerimônia no Estádio Nacional Tiburcio Carías Andino, em Tegucigalpa. Apesar de estar sendo a anunciada com grande pompa, a cerimônia de posse de Lobo vai dividir atenções com outro fato político relevante no país centro-americano, a possível saída do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, da Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde está abrigado há mais de quatro meses.

BBC Brasil |

Em um de seus primeiros atos como presidente, Lobo deve conceder a Zelaya, que foi deposto da presidência de Honduras em junho do ano passado, um salvo-conduto para que ele deixe a embaixada e siga para a República Dominicana.

Há ainda poucos detalhes de como essa operação vai funcionar, mas, em uma entrevista coletiva na terça-feira, Lobo afirmou que ele próprio irá até o prédio da representação brasileira para levar Zelaya até o aeroporto.

Além de Lobo, devem fazer parte da comitiva que acompanhará Zelaya os presidentes Álvaro Colom, da Guatemala, e Leonel Fernández, da República Dominicana.

Durante a entrevista, Lobo, que tem prometido fazer um governo de conciliação nacional no país centro-americano, afirmou que o salvo-conduto tem o objetivo de dar a Zelaya um "tratamento digno".

"Para nosso governo, ter um presidente preso em uma embaixada não pode ser, não é justo nem digno", disse.

Tensão

Zelaya está abrigado na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa desde o último dia 21 de setembro, quando retornou secretamente ao país depois de passar quase três meses no exterior, impedido de voltar a Honduras.


Partidários de Zelaya fazem vigília perto de embaixada brasileira nesta quarta / AP

Desde então, o prédio da embaixada encontra-se cercado por forças militares hondurenhas, que em alguns momentos chegaram inclusive a restringir a entrada de alimentos no local.

O encarregado de negócios da embaixada, diplomata Francisco Catunda Resende, conta que o clima na representação diplomática na véspera da posse de Lobo é de otimismo, com Zelaya fazendo os preparativos para a sua possível saída do prédio.

A situação é bem diferente da tensão que marcou os primeiros dias após o retorno de Zelaya, quando mais de 300 pessoas, entre correligionários e assessores do presidente deposto, abrigaram-se no prédio da representação brasileira.

Atualmente, apenas nove pessoas estão "hospedadas" no prédio, incluindo Zelaya e sua mulher, Xiomara.

Catunda conta que o momento mais tenso do período em que Zelaya esteve no local foi 22 de setembro, um dia após seu retorno.

Em entrevista por telefone à BBC Brasil, ele relatou que nesse dia a polícia hondurenha dispersou manifestantes que estavam nos arredores do prédio e havia o temor por parte dos correligionários de Zelaya de que o local fosse invadido, o que não ocorreu.

Volta

Segundo a analista política Delma Mejia, mesmo após sua saída do país, Zelaya continuará sendo uma figura política importante em Honduras, podendo influenciar o cenário interno.

Para esta quarta-feira, membros da Frente Nacional de Resistência Popular, que reúne movimentos nacionais que apoiam Zelaya, programaram uma série de manifestações que, nas palavras de um de seus líderes, Rafael Alegría, citado pela agência de notícias EFE, servirão para acompanhar a despedida do presidente deposto.

O próprio Zelaya também não descarta voltar a Honduras. Em entrevista à rádio hondurenha Globo, ele afirmou que pretende retornar ao país após um processo de reconciliação nacional.

"Minha ideia é sair e regressar um dia. Não sei quanto tempo vai se passar, mas regressarei a solo hondurenho", disse.

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