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Posição de Lula em Quito reacendeu críticas à política externa do Brasil, diz Economist

A edição mais recente da revista britânica The Economist traz um artigo no qual afirma que as dificuldades enfrentadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para conciliar as desavenças entre Colômbia e Venezuela durante a reunião da Unasul, em Quito, trouxeram novamente à tona críticas em relação à política externa de seu governo. Intitulado Lula and his squabbling friends (Lula e seus amigos brigões, em tradução livre), o artigo compara a política externa brasileira nos governos Fernando Henrique Cardoso e Lula.

BBC Brasil |

Segundo a publicação, FHC priorizou os laços comerciais com Estados Unidos e Europa, enquanto Lula deu ênfase a políticas "sul-sul", aumentando o comércio com países em desenvolvimento e buscando reformas em organismos internacionais.

De acordo com a Economist, críticos têm visto nesta abordagem do governo Lula um certo "antiamericanismo implícito", que "vem mais de alguns assessores que do próprio presidente".

"Os críticos, entre eles ex-diplomatas, acusam o governo de colocar a ideologia acima dos interesses nacionais do Brasil, principalmente em relação à América do Sul", diz a revista.

Aproximação
Citando a aproximação de Lula com os governos esquerdistas do venezuelano Hugo Chávez e do boliviano Evo Morales, a revista afirma que a "ingenuidade" desta abordagem ficou clara quando a Bolívia nacionalizou parte das operações da Petrobras, o que obrigou o Brasil a pagar mais pelo gás boliviano.

Questionando a posição brasileira em relação ao acordo que pode permitir que os americanos utilizem bases militares na Colômbia, a publicação afirma que os diplomatas brasileiros evitam criticar estes países "mas não se intimidam em criticar o acordo militar da Colômbia com os Estados Unidos".

China
A mesma edição da revista traz outro artigo em que discute outra aproximação, além das fronteiras dos países latino-americanos - a da América Latina com a China.

Segundo a Economist, o país asiático estaria se tornando um importante parceiro econômico para a região e cita as relações entre China e Brasil.

Para a revista, essa aproximação seria consequência de dois fatores, que seriam aplicados no caso brasileiro.

O primeiro seria o declínio das relações entre a região e os Estados Unidos, principalmente após o "abandono" demonstrado durante o governo de George W.Bush, que priorizou a relação com outros países.

Segundo a revista, isso teria facilitado a entrada de outros países nos fluxos de negociações com a América Latina.

O segundo fator apontado pela Economist seria o de que muitos países latino-americanos "se tornaram mais confiantes sobre sua independência diplomática". Isso teria ocorrido, de acordo com a Economist porque essas nações atingiram a estabilidade econômica e se tornaram economias "mais robustas", ou porque elegeram governos de esquerda que procuraram outros parceiros por razões ideológicas.

A Economist afirma que o Brasil se aplica em todos os fatores que levaram à uma maior aproximação com a China e cita os recentes acordos firmados entre os dois governos.

"Nos primeiros seis meses desse ano, a China se tornou o principal mercado exportador do Brasil pela primeira vez", diz a revista, ao mencionar o acordo entre Lula e Hu Jintao sobre o empréstimo a Petrobras e o contrato de exportação de petróleo.

A publicação cita ainda o investidor Marcelo Carvalho, do banco Morgan Stanly, para afirmar que "a demanda chinesa por commodities parece ter contribuído para o ritmo acelerado do crescimento econômico, moeda mais forte, menor inflação e juros mais baixos no Brasil".

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