Lisboa, 24 jul (EFE).- O ex-inspetor da Polícia portuguesa Gonçalo Amaral, que investigou o desaparecimento da menina britânica Madeleine, apresentou hoje o livro em que acusa o casal McCann de matar a menina e ocultar o cadáver.

Amaral, que se aposentou antecipadamente aos 48 anos após ser substituído no caso em outubro, não se mostrou preocupado com a possibilidade de ser processado pelo conteúdo do livro, que considerou uma recuperação de sua imagem e do trabalho de sua equipe, além de uma homenagem a Madeleine.

O ex-inspetor reiterou a tese do livro de que considera provado pelos investigadores que Madeleine morreu na noite de 3 de maio de 2007 no apartamento em Portugal onde a família passava as férias.

A obra "Maddie - A Verdade da Mentira" dá detalhes da investigação policial e contém suspeitas e fatos que comprometem os McCann, livres da condição de suspeitos quando a Promotoria portuguesa decidiu na última segunda-feira arquivar o caso por falta de provas.

O texto conclui que Madeleine pode ter morrido "como resultado de um trágico acidente", que "houve uma simulação de sequestro" e que os pais "são suspeitos de participar da ocultação do cadáver de sua filha".

Amaral negou que sua obra seja uma vingança, embora tenha reconhecido que deseje limpar seu nome e o de sua equipe após serem desprezados, sobretudo pela imprensa britânica.

No livro, Amaral revela pressões diplomáticas e políticas do Reino Unido e se queixa de falta de colaboração de suas autoridades e dos laboratórios de Birmingham que analisaram amostras de DNA encontrados em roupas, objetos e em um automóvel alugado pelos pais depois do desaparecimento de Madeleine.

Cães especialmente treinados no Reino Unido detectaram também cheiro de cadáver nesses pertences, o que, para Amaral, constituem provas mais irrefutáveis do ocorrido.

Em entrevista publicada hoje na imprensa de Lisboa, o ex-inspetor expressou seu convencimento de que o cadáver da menina foi provavelmente congelado e escondido pelos pais, que semanas depois o transportaram no veículo onde foram detectados os rastros.

A tese sobre o rapto da menina é para o ex-inspetor uma montagem baseada, sobretudo, em testemunhos falsos de Kate McCann e de sua amiga, Jane Tanner, a mulher que envolveu o terceiro suspeito do caso, o britânico morador da região Robert Murat, já livre também de acusações pela Justiça portuguesa. EFE ecs/rb/rr

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