Portugal segue com governo socialista, mas apoio diminui em 2009

Emilio Crespo. Lisboa, 20 dez (EFE).- Portugal foi três vezes às urnas em 2009, e ratificou os socialistas no poder, mas sem renovar a maioria absoluta do primeiro-ministro José Sócrates, que enfrenta quatro anos de gestão com um dos Governos mais frágeis da democracia do país.

EFE |

Após três agressivas campanhas eleitorais, nas quais toda a oposição, tanto de esquerda marxista como conservadora, teve os os socialistas como alvo comum, Sócrates, do Partido Socialista (PS), não conseguiu o apoio de nenhum outro partido para governar e enfrenta um futuro incerto, com apenas 97 dos 230 deputados da Assembleia Legislativa portuguesa.

Sócrates pode ser derrubado a qualquer momento, e muito dificilmente vai conseguir a aprovação do orçamento do Estado para 2010.

Contudo, a oposição portuguesa, que celebrou como um triunfo a perda da "arrogante" maioria absoluta socialista, também não se mostra disposta a propiciar uma queda em curto prazo do Governo, pelo custo eleitoral que muitos políticos temem se o país for chamado pela quarta vez às urnas.

Sócrates tomou posse como primeiro-ministro no último dia 6 de novembro sem pedir um voto de confiança e em meio a uma chuva de críticas dos deputados da agora poderosa oposição, que também não se atreveu a colocar um voto de censura.

Apesar do desgaste de seus primeiros quatro anos no poder, nos quais a esquerda marxista e os sindicatos encheram várias vezes de manifestantes as principais cidades do país em protesto pela política econômica, o primeiro-ministro alcançou duas vitórias tranquilas nas votações legislativas de setembro e nas municipais de outubro.

O primeiro-ministro fechou o ano eleitoral mostrando satisfação pelas duas folgadas vitórias, e interpretou como uma ratificação do programa e da gestão socialista, lamentando que a oposição não tivesse aceitado sequer abrir um diálogo sobre eventuais acordos de legislatura.

Só no pleito europeu de junho os socialistas foram ultrapassados por seu grande rival histórico, o Partido Social Democrata (PSD, de centro-direita) que obteve 31,71% dos votos, contra 26,53% do partido governamental, que ficou muito longe dos 44,53% conseguidos quatro anos antes.

No entanto, o PS conseguiu recuperar-se, e o PSD não pôde cumprir suas expectativas de impor novas derrotas a Sócrates e arrancar-lhe o poder.

Após o êxito de sua primeira prova nas urnas, a presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, que tinha chegado ao controle do partido um ano antes, foi perdendo terreno nas enquetes e nas votações.

Seu discurso conservador e centrado na crítica ao Governo, com o qual surpreendeu por sua oposição ao projeto de ferrovia de alta velocidade em ligação à Espanha, não lhe permitiu superar a estagnação eleitoral do PSD.

Nas legislativas não superaram o teto dos 29%, enquanto o PS obteve 36,5%. Nas municipais os socialistas conseguiram 37,6% dos votos, e o PSD, que se apresentou em coalizões com outros pequenos partidos, somou com eles 38,6%.

Com esses resultados, Manuela, próxima do atual presidente da República portuguesa, Aníbal Cavaco Silva, de quem já foi ministra das Finanças, foi publicamente questionada pelos próprios dirigentes de seu partido, e arrisca perder a liderança nos próximos meses.

O conservador Cavaco Silva, que protagonizou uma pacífica "coabitação" com Sócrates desde que chegou ao poder em 2006, um ano depois que o primeiro-ministro, se viu envolvido em uma polêmica eleitoral por seu enfrentamento com o Governo por um desmentido caso de espionagem governamental a mando do Estado.

Cavaco e o Governo de Sócrates trocaram graves acusações de manipulação eleitoral em outubro, em discursos transmitidos pela televisão a todo o país, e sua futura relação é outra das novas incógnitas da política portuguesa. EFE ecs/fm/mh

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