Portugal quer fortalecer papel dos países de língua portuguesa no mundo

Lisboa, 25 jul (EFE).- Portugal incentivou hoje os países de língua portuguesa a potencializar o papel desta comunidade no mundo e promover o uso internacional do português, na inauguração de uma cúpula entre a nação européia e sete ex-colônias, entre elas o Brasil.

EFE |

Na abertura formal da 7ª Conferência de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), cujos trabalhos começaram nesta sexta-feira em Lisboa, o presidente português, Aníbal Cavaco Silva, e seu primeiro-ministro, José Sócrates, se mostraram orgulhosos da representatividade conseguida pela organização.

Mas, após doze anos, a CPLP ainda tem muito trabalho a fazer para afirmar a presença dos países de língua portuguesa no cenário internacional e a cooperação entre eles, disseram os dois políticos em seus discursos de inauguração.

Sócrates expôs os planos de Portugal durante a Presidência rotativa da CPLP, que o país assumiu hoje até a próxima cúpula bienal, e anunciou que impulsionarão programas ambiciosos, como uma biblioteca on-line da cultura portuguesa e ações para aproximar a comunidade "dos cidadãos".

Cavaco lembrou a criação da CPLP, em outra conferência realizada em 1996 no mesmo centro de convenções em Lisboa que recebe a cúpula de hoje, e elogiou os avanços no desenvolvimento do organismo junto aos desafios para "ampliar sua representação".

Portugal e suas sete ex-colônias somam 240 milhões de habitantes - dos quais quase 190 milhões são brasileiros - e um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 700 bilhões.

Cavaco ressaltou sucessos como o avanço na institucionalização da CPLP, que conta com uma Assembléia Parlamentar, sua crescente visibilidade mundial, os valores democráticos que a encorajam e seu papel na crise do Timor-Leste, que, após conseguir a plena independência da Indonésia, se juntou em 2002 à organização.

Apesar do balanço "positivo" incentivou os membros do organismo a coordenar esforços em iniciativas conjuntas, como a apresentação de candidaturas a organismos mundiais e a atuação coordenada no cenário internacional.

A CPLP, acrescentou, deve se esforçar para cumprir o lema desta cúpula: "Língua portuguesa - um patrimônio comum, um futuro global".

Já o primeiro-ministro português defendeu fixar datas para a adoção do Acordo Ortográfico da Língua, que unifica o idioma em nível internacional.

O acordo foi promulgado na semana passada por Cavaco em meio a críticas de intelectuais e acadêmicos portugueses, que reclamaram das imposições brasileiras diante da unificação do português do Brasil ao português de Portugal.

O chefe de Estado de Guiné-Bissau, João Bernardo "Nino" Vieira, como presidente em final de mandato da CPLP, ressaltou também os avanços e as potencialidades da organização, mas lembrou as dificuldades da "descontinuidade geográfica" entre seus membros e a "falta de recursos".

Além de Cavaco e Vieira, e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, participam os chefes de Estado de Cabo Verde, Pedro Pires; de São Tomé e Príncipe, Fradique de Menezes; e Timor-Leste, José Ramos-Horta.

Angola é representada pelo primeiro-ministro Fernando Dias dos Santos e Moçambique, pelo ministro de Exteriores Oldemiro Balói.

Além disso, há a presença de vários organismos internacionais e agências da ONU e dos dois países observadores da CPLP, Guiné Equatorial e Ilhas Maurício. EFE ecs/an

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