Portugal nega extradição de foragido americano

George Wright foi encontrado por autoridades americanas quase quatro décadas depois de ter fugido de prisão em Nova Jersey

iG São Paulo |

Um tribunal de Lisboa negou um pedido dos Estados Unidos pela extradição do fugitivo americano George Wright , informou a BBC que ouviu seu advogado. A extradição foi negada sob a alegação de que Wright agora é um cidadão português. O Departamento de Justiça americano se disse "extremamente desapontado" com a decisão.

Leia também: Americano condenado à prisão relembra quatro décadas de fuga

Reuters
George Wright participa de coletiva de imprensa após decisão do tribunal português

Wright foi capturado pelo FBI perto de Lisboa em setembro, depois de mais de 40 anos foragido.  Os EUA queriam que ele voltasse ao país para cumprir o restante de sua pena por um assassinato cometido em 1962, pelo qual ele chegou a ser preso.

Em 1970, porém, Wright escapou da cadeia em Nova Jersey e sequestrou um avião americano dois anos depois.

"O tribunal de apelação de Lisboa afirmou que ele tem cidadania portuguesa e não será extraditado", disse seu advogado, Manuel Luis Ferreira. Ele alegou também que o prazo para sua detenção expirou.

No escritório do seu advogado, Wright agradeceu à decisão do tribunal. "Eu queria agradecer aos tribunais portugueses por terem tomado a decisão correta", disse, acrescentando que tem "consciência tranquila".

Laura Sweeney, porta-voz do Departamento de Justiça dos EUA, disse que Wright era "um assassino condenado, culpado por um crime extremamente grave que se enquadra claramente nos termos do tratado bilateral de extradição com Portugal".

Ela não deixou claro se as autoridades americanas iriam apelar da decisão, mas afirmou que os EUA esperavam que Portugal cumprisse as obrigações do tratado.

AP
George Wright em foto de 1963
Quatro décadas de fuga

George Wright, 68 anos, foi condenado juntamente com um cúmplice pelo assassinato do dono de um posto de gasolina na cidade de Wall, no Estado da Nova Jersey, em 1962, durante um assalto.

Ele foi condenado a uma pena de 30 anos e permaneceu oito anos em uma prisão de Nova Jersey, de onde conseguiu fugir em agosto de 1970.

Wright então se associou a um grupo de militantes negros radicais e, em 1972, juntamente com outros cúmplices sequestrou um avião que ia de Detroit a Miami. O criminoso, que tinha 29 anos na época, teria entrado no avião disfarçado de pastor e teria usado identidade falsa.

Ao chegar a Miami, os criminosos exigiram um resgate de US$ 1 milhão (cerca de R$ 1,8 milhão) para libertar os 86 passageiros a bordo. Após um agente do FBI, vestido apenas de sunga por exigência dos sequestradores, ter entregue ao grupo um saco de 32 quilos contendo dinheiro, os passageiros foram libertados.

Os sequestradores então forçaram o avião a seguir para Boston, onde um navegador internacional foi trazido para a aeronave e o avião foi levado para a Argélia, onde os sequestradores queriam obter asilo político.

No país árabe, eles foram acolhidos pelo escritor e militante Eldridge Cleaver, integrante do grupo Panteras Negras, que estava refugiado na Argélia, já que o governo local vinha dando apoio ao que entendia ser movimentos de libertação mundiais.

Após divergências com o governo argelino e por pressão dos Estados Unidos, o grupo foi forçado a entregar o dinheiro do resgate às autoridades argelinas, que o devolveram para os americanos. Eles foram detidos por um período e também tiveram negado o seu pedido por asilo político.

Os sequestradores acabaram se refugiando na França onde todos - à exceção de Wright - foram rastreados, capturados e condenados em Paris, na França, em 1976.

Os agentes do FBI contavam com retratos que simulavam a aparência de Wright mais velho e monitoraram contatos que ele poderia estar fazendo com sua família. As investigações levaram a diferentes endereços, entre eles, um em Portugal.

Com a ajuda das autoridades portuguesas, eles conseguiram, finalmente rastrear Wright. Portugal conta com um diretório nacional de registro de cédulas de identidade, e os agentes do FBI descobriram semelhanças na assinatura e no retrato da foto do documento.

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