LISBOA (Reuters) - O diretor da promotoria pública de Portugal arquivou o caso do desaparecimento da menina britânica Madeleine McCann até que apareçam mais provas para a investigação, negando qualquer suspeita de envolvimento dos pais da garota. O promotor Fernando Pinto Monteiro disse em nota que um terceiro suspeito, Robert Murat, um britânico que vive em Portugal, também teve seu envolvimento no caso negado.

'A promotoria pública determinou que a investigação sobre o desaparecimento de Madeleine McCann seja arquivado, devido a falta de evidêncida de que qualquer crime tenha sido cometido pelos suspeitos', disse a nota.

'O caso pode ser reaberto pela promotoria pública, ou com o pedido de alguma das partes interessadas, se novas evidências se materializarem', disse.

O casal McCann recebeu bem a notícia e disse que não iria desistir de procurar por sua filha.

'Saudamos a notícia hoje, embora não seja motivo para comemorar', disse Kate McCann em uma entrevista coletiva na Inglaterra, lendo uma nota.

'É difícil descrever o quão desesperador era (...) ser retratado na mídia como suspeitos da abdução de nossa própria filha.'

'Igualmente, tem sido devastador testemunhar o efeito danoso que este status teve na busca por Madeleine.'

'Estamos ansiosos para examinar os arquivos da polícia para ver o que foi realmente feito e, mais importante, o que ainda pode ser feito enquanto deixamos aberta a busca pela nossa menina.'

Madeleine desapareceu em seu quarto em um resort de Algarve no dia 3 de maio do ano passado, poucos dias antes de seu quarto aniversário.

O caso apareceu nas principais manchetes da imprensa internacional, especialmente depois que a polícia nomeou os pais, Gerry e Kate McCann, como suspeitos. A polícia portuguesa não conseguiu achar a garota e não teve evidências para acusar nenhum dos envolvidos, apresentando seu relatório final à promotoria em 1o de julho.

Os McCann lideraram uma busca por sua filha que despertou a atenção no mundo todo.

Em março, o casal ganhou 550 mil libras de indenizações dos jornais Daily Express e Daily Star por matérias que sugeriam que eles poderiam ter matado Madeleine. Os jornais fizeram pedidos de desculpas em suas primeiras páginas.

Gerry McCann disse a jornalistas que ele e sua mulher não tinham a intenção de retornar a Portugal em um futuro próximo, e que o casal não havia excluído a possibilidade de processar as autoridades portuguesas.

(Reportagem de Andrei Khalip)

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