Porto de grãos na Argentina segue paralisado por protesto

Por Maximilian Heath PORTO GENERAL SAN MARTIN, Argentina (Reuters) - As exportações seguiam praticamente paralisadas nesta quarta-feira em um dos maiores portos de grãos da Argentina como consequência de uma greve de trabalhadores portuários.

Reuters |

O protesto, que começou na semana passada, ocorre no momentos em que se acelera a colheita de soja no país, maior fornecedor mundial de derivados e o terceiro de grãos da oleaginosa.

"Tudo continua igual, aqui está tudo parado, não temos indícios de nenhum avanço nas negociações", disse à Reuters uma fonte dos produtores rurais que trabalha na zona portuária.

Entretanto, de acordo com um representante dos estivadores, os portuários em greve e os exportadores podem chegar a um acordo nesta quarta-feira.

"As negociações estão bem encaminhadas. Acredito que vamos ter um bom dia. Talvez hoje tenhamos uma boa notícia", disse à Reuters Mónica Gámez, porta-voz da Cooperativa de Trabalhos Portuários.

O porto General San Martín, localizado 28 quilômetros ao norte de Rosario - principal complexo de grãos do país -, estava deserto nesta quarta-feira, já que muitos dos 5 mil caminhões que haviam se acumulado na região nos últimos dias foram desviados para outros terminais localizados ao sul.

A Cooperativa de Trabalhos Portuários e o Sindicato Unido de Portuários Argentinos (SUPA) - ao qual estão filiados os trabalhadores da cooperativa - exigem uma alta de até 100 por cento em dólares nas tarefas e nos salários dos empregados.

Mas as negociações se estagnaram depois que as empresas exportadoras de grãos ofereceram um aumento de 25 por cento e a promessa de elevar as tarifas em 15 por cento no próximo ano.

O conflitou tomou tal magnitude que levou o governo a tentar uma mediação entre as partes.

A exigência dos estivadores se dá em um contexto de uma acelerada inflação no país, que neste ano poderia ficar entre 20 e 30 por cento, segundo especialistas.

Como protesto, os trabalhadores bloquearam acessos a muitos dos terminais da região, de onde parte 85 por cento dos embarques agrícolas do país, que para este ano espera uma safra recorde de soja de até 55 milhões de toneladas.

(Com reportagem adicional de Nicolás Misculin)

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