Buenos Aires, 14 jun (EFE).- Moradores de vários bairros de Buenos Aires protagonizaram hoje panelaços em apoio aos setores do campo, que mantêm um grave conflito com o Governo, intensificado hoje por incidentes ocorridos durante protestos no interior do país.

Portenhos dos bairros de Belgrano, Caballito, Palermo, Recoleta e Barrio Norte bateram nas panelas em repúdio à atuação do Governo no conflito que já dura 95 dias e gerou vários bloqueios de vias, desabastecimento de alimentos e de combustível, além de ter afetado outros setores da economia.

Além disso, várias pessoas protagonizam outro panelaço em frente à Quinta das Oliveiras, nos arredores de Buenos Aires, onde a presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, estaria reunida com membros do Gabinete para analisar o desenvolvimento do conflito.

Militantes de grupos de esquerda se reuniram na Praça de Maio, em frente à Casa de Governo, em apoio ao campo, cujo conflito se agravou hoje com a detenção de 19 produtores agropecuários durante um bloqueio na província de Entre Ríos.

Os panelaços começaram depois dos choques entre produtores rurais e efetivos da Gendarmaria durante um bloqueio de via em Entre Ríos, que deixou pelo menos dois ruralistas feridos e 19 detidos, que foram libertados horas depois.

Além disso, dirigentes das principais entidades agropecuárias se dispunham hoje a iniciar um encontro para avaliar se retornam à greve, depois da "atitude repressiva" do Governo, segundo o titular da Federação Agrária Argentina (FAA), Eduardo Buzzi.

No entanto, o ministro do Interior argentino, Florencio Randazzo, afirmou hoje que "não houve repressão" no despejo do bloqueio de uma via na localidade de Gualeguaychú, e destacou que a Gendarmaria atuou com uma ordem judicial.

Os proprietários de caminhões transportadores de cereais iniciaram os protestos em 3 de junho, para reivindicar ao Governo da Argentina que retome o diálogo com o campo e que os produtores agropecuários voltem a comercializar seus grãos.

A greve comercial dos produtores agrários terminou à meia-noite do domingo passado, mas muitos continuavam protestando na beira de estradas e mantêm retida a colheita nos campos, para não validar os novos impostos às exportações de grãos decretados pelo Governo, o que detonou um conflito. EFE ms/an

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