Porta-voz tory renuncia após ampliação de detenção de suspeitos de terrorismo

Londres, 12 jun (EFE).- O porta-voz conservador britânico para assuntos internos David Davies anunciou hoje sua renúncia como deputado e sua intenção de se apresentar à reeleição em sinal de protesto pelo plano para ampliar de 28 para 42 dias o prazo legal de detenção sem acusações de suspeitos de terrorismo.

EFE |

Em declaração à imprensa, Davies, secretário do Interior do chamado gabinete conservador das sombras, explicou que pretende forçar que a votação esteja centrada no polêmico projeto, aprovado nesta quarta por estreita margem no Parlamento.

"Defenderei meus argumentos nesta eleição parcial contra o lento estrangulamento das liberdades fundamentais britânicas por parte deste Governo", disse Davies, de 59 anos.

O anúncio acontece após a Câmara dos Comuns aprovar ontem por estreita margem a ampliação do prazo de detenção de suspeitos de terrorismo, apesar dos votos contra de 37 deputados do governista Partido Trabalhista.

Davies, deputado pela circunscrição de Howden e Haltemprice (nordeste da Inglaterra), dirigiu os esforços conservadores para tentar derrotar a polêmica proposta.

O até agora porta-voz conservador para assuntos internos, que disputou a liderança do partido com David Cameron em 2005, disse que a erosão das liberdades civis, com medidas como a ampliação para 42 dias, "não pode continuar".

"Isso deve parar e, por isto, hoje sinto que devo fazer algo", disse Davies aos jornalistas na porta da Câmara dos Comuns.

O líder tory, David Cameron, chamou de "valente" a ação de Davies, mas disse que se tratou de "uma decisão pessoal" e não do Partido Conservador ou do Governo na sombra.

Cameron destacou que sua "responsabilidade" é manter o trabalho de oposição e anunciou que Dominic Grieve substituirá Davies imediatamente como porta-voz de assuntos internos.

O Partido Liberal-Democrata, a terceira força política do país e também contrária à ampliação do prazo legal de detenção, anunciou que não apresentará nenhum candidato à eleição parcial, o que dá mais vantagem a Davies frente a um aspirante trabalhista.

Após tramitar na Câmara dos Comuns, o projeto certamente será rejeitado na Câmara dos Lordes, que sempre se mostrou mais respeitosa quanto a liberdades individuais. EFE ep/wr/fal

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG