Cidade do Vaticano, 29 nov (EFE) - O porta-voz do papa Bento XVI, o jesuíta Federico Lombardi, pediu hoje o fim da violência em nome de Deus, em um apelo feito através da Rádio Vaticana em favor do diálogo entre religiões, após os atentados múltiplos registrados na cidade de Mumbai, Índia. É horrível que, no mundo atual, a religião misture-se com a violência. O fundamentalismo é um dos riscos mais dramáticos da humanidade e desafia a consciência de todo homem religioso, afirma Lombardi.

Desde a última quarta-feira, e durante 60 horas, Mumbai sofreu uma série de ataques terroristas que atingiram dois hotéis de luxo, um hospital, uma estação de trens, restaurantes e bares de uma zona turística, mas também um centro de oração judaico, e que deixaram 183 mortos, segundo os últimos dados oficiais.

"A gravidade mortal e a evidente intenção de golpear o coração de um grande país fizeram lembrar o 11 de setembro de Nova York, depois a tragédia de Madri e a de Londres", disse Lombardi.

"Os conflitos que agitam há muito tempo o subcontinente indiano são um deliberado ponto crítico sobre o qual operar para avivar um incêndio cada vez mais aterrorizador, cujas conseqüências são dificilmente imagináveis, dadas as dimensões geográficas da Ásia meridional e seu papel no desenvolvimento mundial", afirmou.

Lombardi lembrou as tensões passadas que levaram à divisão entre Índia e Paquistão, e destacou as "crescentes correntes fundamentalistas" que são registradas não só no mundo islâmico, mas também no hinduísta.

"Há poucos anos vi na Índia uma onda de violência anti-muçulmana, recentemente experimentamos a anti-cristã em algumas regiões. Em um país no qual a minoria muçulmana é de 140 milhões de pessoas, quais podem ser as reações a este ataque que se apresenta de matriz islâmica?", questionou o religioso. EFE mcs/db

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