Gaza, 8 nov (EFE).- O Hamas decidiu boicotar o diálogo inter-palestino previsto para a próxima semana e acusa o Egito de estar do lado do presidente na Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, afirmou hoje o porta-voz do grupo parlamentar do movimento islâmico na Faixa de Gaza.

"O Egito está convencido e acredita na postura do presidente Abbas de que não há prisioneiros políticos na Cisjordânia", disse hoje à imprensa Salah al-Bardawil, porta-voz e deputado do Hamas.

Assim, este legislador palestino justificou a decisão do movimento de boicotar o encontro previsto no Cairo na segunda-feira, ao afirmar que as forças de Abbas continuam detendo os simpatizantes do Hamas na Cisjordânia e que o Egito não é imparcial.

"Esta situação acabou com qualquer esperança de diálogo. As conversas não têm nenhum sentido nestas circunstâncias e as facções da resistência rejeitam ir ao diálogo", acrescentou.

A Jihad Islâmica, que faz parte das doze facções convidadas à reunião também é contra viajar à capital egípcia.

O Hamas acusou forças leais ao presidente palestino da detenção de cerca de 500 simpatizantes do grupo na Cisjordânia, enquanto o movimento nacionalista Fatah, leal a Abbas denuncia que os islâmicos perseguem seus dirigentes e outros membros do grupo na Faixa de Gaza desde quinta-feira.

A retomada do denominado "diálogo inter-palestino" tinha por objetivo reconciliar as facções rivais do Hamas e Fatah para acabar com a divisão política entre Gaza, controlada pelos primeiros, e a Cisjordânia, pelos segundos, depois que os islamitas tomaram o controle do território palestino no ano passado.

A imprensa árabe também informou que o Hamas estudava boicotar a reunião, porque o Egito rejeitou estudar as reservas do movimento islâmico em relação à fórmula ou documento que seria estudado nas conversas.

Entre as várias reservas do Hamas, está a posição defendida por Fatah e seu presidente Abbas, de antecipar as eleições legislativas e presidenciais em paralelo, o que os islâmicos entendem como uma tentativa de prejudicar a vitória atingida nas eleições parlamentares em 2006.

O porta-voz do Hamas na Faixa de Gaza, Fawzi Barhum, manifestava pouco antes de se conhecer a decisão de que "o presidente Abbas será responsável por qualquer fracasso do diálogo, porque está claro que lançou um massacre contra o Hamas na Cisjordânia". EFE sar/an

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.