Porta-aviões italiano recebe bebês do Haiti

Por Jo Winterbottom LONDRES (Reuters) - O novo porta-aviões da Itália tem um bebê a bordo - e outras 50 crianças devem chegar na próxima semana, já que suas modernas instalações cirúrgicas estão a serviço dos sobreviventes do terremoto no Haiti.

Reuters |

O porta-aviões Cavour atracou perto de Porto Príncipe em 31 de janeiro, e desde então seus tripulantes montaram hospitais em terra, além de operarem a bordo os modernos scanners, laboratórios e instalações cirúrgicas, disse o capitão Gianluigi Reversi por telefone à Reuters.

"Temos uma menina de três meses a bordo com a mãe dela, que tem um problema na perna", disse Reversi. "Dá para ouvir o bebê chorando à noite quando está com fome. É muito estranho para um navio militar."

A partir da semana que vem, o Cavour abrirá suas portas para crianças com deformidades faciais, como parte da Operação Sorriso (www.operationsmile.org). Reversi disse que pelo menos 50 crianças serão operadas em duas semanas.

"É uma parte muito importante da nossa missão", acrescentou o capitão do navio, que opera em conjunto com o navio-hospital norte-americano USS Comfort.

O governo haitiano estima que até 300 mil pessoas tenham morrido no terremoto do dia 12 de janeiro no país mais pobre das Américas.

O Cavour, mais novo porta-aviões italiano, trouxe ao Haiti 200 soldados italianos, além da sua própria tripulação, de cerca de 540 marinheiros. O porta-aviões usou sua câmera hiperbárica, habitualmente empregada no tratamento a mergulhadores acidentados, para atender pessoas com ferimentos infeccionados - o consumo de oxigênio pressurizado estimula o fluxo sanguíneo e a regeneração dos tecidos.

"Salvamos várias pernas e braços da amputação com este tratamento", disse Reversi, acrescentando que cerca de 30 pessoas já usaram a câmera hiperbárica, a única da região.

"Estou contente por nossa primeira missão ter sido esta. É excitante saber que estamos ajudando e trazendo uma ajuda real", afirmou.

De acordo com ele, seu pessoal em terra já limpou estradas, reconstruiu escolas e montou dois hospitais temporários, com capacidade para cerca de 150 pacientes por dia. "Fomos a lugares aonde ninguém quis ir, a zonas vermelhas. Agora todo mundo nos ama. Querem que a gente visite suas casas, dizem: 'Bem-vindos, bom dia, bonjour'. Não parecia tão perigoso."

Para Reversi, "a vida (em Porto Príncipe) está recomeçando".

"Agora, quando estou no deque à noite, posso ver as luzes, não só a escuridão na cidade", afirmou.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG