Por mais votos na Argentina, Cristina encontra Dilma e Lula

Kirchner quer mostrar sintonia com Lula e Dilma, que gozam de boa popularidade na Argentina

Adriano Ceolin, iG Brasília |

A presidenta da Argentina, Cristina Kirchnner, chegou hoje ao Brasil para conquistar mais dividendos políticos do que econômicos. Candidata à reeleição, ela quer se mostrar “em sintonia” com a dupla Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva, que anda super popular entre os argentinos por causa dos êxitos da economia brasileira.

Agência Estado
Dilma recebe Cristina Kirchner no Palácio do Planalto
Cristina praticamente abandonou qualquer tipo de agenda que colocasse em discussão disputas comerciais entre argentinos e brasileiros. Ela, porém, fez questão de convidar Lula para a inauguração da nova sede da embaixada da Argentina no Brasil. O ex-presidente saiu do Rio para participar do evento em Brasília, às 16 horas.

A presidenta argentina quer ser vista ao lado de Lula para rivalizar com o adversário Eduardo Duhalde (União Popular). Próximo do ex-presidente brasileiro desde 2003 quando ocupou a presidência de forma temporária, Duhalde lançou este ano um livro com o título "De Tomás Moro al Hambre Cero" (de Thomas Morus ao Fome Zero), cujo prólogo é assinado por Lula.

Segundo jornalistas argentinos, Lula é extremamente popular na Argentina. “Se Lula fosse candidato a presidente na Argentina ganhava”, disse um deles à reportagem. “Lula está mais popular que (Lionel) Messi e (Diego) Maradona”,afirmou outro, referindo-se ao jogador de futebol do Barcelona e o campeão mundial em 1986.

Em entrevista ao iG por e-mail, o advogado argentino Franco Salvemini, 27 anos, confirmou: “Lula é visto aqui como um estadista, um modelo a seguir em Argentina”. Morador de Buenos Aires, Salvemini também destacou a presença de Lula no funeral de Néstor Kirchnner, marido da presidenta morto em outubro passado.

Salvemini disse acreditar na vitória de Cristina em outubro. O advogado, porém, não acha determinante para a conquista da reeleição os encontros da presidenta com Lula e Dilma.

“Não creio que sejas determinantes (os encontros). Cristina já tem uma quantidade de votos importantes, segundo pesquisas”, disse. “De todas as formas, sempre é bem visto as boas relações tanto com o Brasil como o outros países latino-americanos”,completou.

Vestida de negro

Cristina foi recebida em cerimônia oficial de visita chefe de Estado no Palácio do Planalto. Antes de mesmo de ela chegar ao pé da rampa do Planalto para o encontro de Dilma, um jornalista argentino já previa que a presidenta estaria de vestida de negro para não deixar de ser registrada sua viuvez.

Presidente da Argentina entre 2003 e 2007, Néstor Kirchnner faleceu após uma parada cardiorrespiratória. Tinha 60 anos. Depois disso, mesmo quem via com indiferença do governo de Cristina, ficou mais sensibilizado. O resultado foi o aumento da sua popularidade em todas as classes sociais.

Conselho empresarial

O porta-voz do Itamaraty, Tovar Nunes, anunciou que Dilma e Cristina articulam a criação de um conselho empresarial formado representantes dos dois países.“Seriam cerca de oito ou nove empresários. É importante haver esse diálogo direto, sem a presença do Estado”,afirmou Nunes, hoje pouco antes da chegada presidenta da Argentina.

Entre maio e junho, houve uma crise comercial envolvendo argentinos e brasileiros. O governo federal passou a retardar a entrada no Brasil de automóveis produzidos na Argentina. A medida foi uma resposta ao atraso na concessão de licenças de importação.

Itamaraty

Após a recepção no Palácio do Planalto, seguiu para o Itamaraty, onde participa de um almoço oferecido pela presidenta Dilma Rousseff. Chegando ao local, jornalistas questionaram a chefe argentina se ela estava preocupada com a possível moratória dos Estados Unidos.

“Todos estamos (preocupados)”, disse a presidenta.

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