Por falta de consenso, Cúpula das Américas termina sem declaração final

Apenas o presidente colombiano irá assinar declaração. EUA e Canadá não concordam com entrada de Cuba e soberania argentina das Malvinas

iG São Paulo |

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, afirmou neste domingo que não haverá declaração final na Cúpula das Américas por falta de consenso entre os países sobre Cuba, ilhas Malvinas e descriminalização das drogas. Pela primeira vez, nações aliadas dos EUA, como a Colômbia, reforçaram a demanda de que Cuba esteja presente na próxima reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA).

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AP
Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, durante encerramento da Cúpula das Américas

Mais cedo, Santos havia cobrado abertamente mudança de postura sobre a pequena ilha comunista. "O isolamento, o embargo, a indiferença, olhar para o outro lado, vêm sendo ineficazes", havia dito o anfitrião do evento.

Segundo o assessor presidencial para Assuntos Internacionais do Brasil, Marco Aurélio Garcia, os presidentes não assinaram a declaração final devido à decisão de Estados Unidos e Canadá de vetar a proposta de convidar Cuba para os próximos encontros, mas também por não apoiar a reivindicação argentina de soberania sobre as ilhas Malvinas.

"Não houve possibilidade de uma declaração conjunta. Estados Unidos e Canadá não estão de acordo com Cuba e Malvinas", disse Garcia à rádio colombiana RCN."É o que ocorreu em 2009 em Trinidad e Tobago (onde aconteceu a cúpula anterior). Haverá uma declaração assinada apenas pelo presidente da Colômbia, que não será firmada pelos demais presidentes", confirmou um diplomata brasileiro.

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Foto oficial da 6ª Cúpula das Américas, em Cartagena, na Colômbia

A presidência argentina também lamentou em um comunicado "não haver declaração final diante do veto dos Estados Unidos a um artigo sobre Cuba".A presidenta argentina Cristina Kirchner partiu de Cartagena em direção a Buenos Aires ainda nesta manhã, antes do fim da cúpula.

"Durante a sessão plenária de ontem, a presidenta havia pronunciado um discurso no qual agradeceu o apoio e a solidariedade de mais de 30 países pelas Malvinas". Segundo a presidência argentina, tampouco se alcançaram consensos no debate sobre alternativas para a luta antidrogas na região.

"No outro tema central, como é o do debate sobre as drogas e sua descriminalização, também não foram alcançados consensos entre os países, o que significou outro obstáculo para a assinatura de uma declaração final da VI Cúpula das Américas", disse a presidência argentina em seu site.

*com Reuters e AFP

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