Popularidade de Chávez chega em baixa às eleições legislativas

Índice de aprovação de líder da Venezuela caiu 20 pontos porcentuais em um ano; eleições de setembro definem Assembleia Nacional

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Uma nova campanha eleitoral foi iniciada nesta quarta-feira na Venezuela e seu grande protagonista, o presidente Hugo Chávez, pretende manter uma maioria arrasadora de deputados nas eleições de 26 de setembro, embora se encontre em seu mais baixo nível de popularidade, muito diferente dos tempos de seus recordes históricos.

"A popularidade do presidente Chávez diminuiu fortemente no último ano e chega a 37% neste início de campanha para as legislativas, o que se traduz numa baixa intenção de voto para o governo, que se situa em 32% frente aos 46% da oposição", declarou o pesquisador Alfredo Keller à AFP.

Reuters
Cartaz com a foto do presidente venezuelano, Hugo Chávez, é exposto em prédio em Caracas
"É difícil suspender as legislativas, e o presidente faria isso, se pudesse", assinalou, por sua parte, o pesquisador Saúl Cabrera, da Consultores 21.

Segundo essa consultoria, a popularidade do presidente venezuelano, depois de 11 anos no poder, está em 37%, 20 pontos porcentuais a menos do que Chávez registrava há um ano e quase 35 pontos porcentuais a menos do que em 2005.

No entanto, isso não impede Chávez de estar de novo na linha de frente da campanha do Partido Socialista Unido (PSUV, no poder), que enfrentará uma oposição ainda debilitada e com dificuldade para apresentar um bloco unido.

Em 26 de setembro, os venezuelanos elegerão uma nova Assembleia Nacional (Parlamento unicameral), atualmente dominada pelo chavismo pelo fato de a oposição ter-se retirado da disputa em 2005 na tentativa - fracassada - de boicotá-las.

O presidente, apesar de estar consciente de que o cenário de há cinco anos não voltará a se repetir, reiterou que necessita de dois terços dos deputados para seguir adiante com seu projeto político, conhecido como revolução bolivariana.

Para Keller, a decisão governamental de "converter cada eleição em um plebiscito", no qual só se vota a favor ou contra Chávez, deve-se ao fato de que o presidente "é o único líder da situação com uma popularidade real, apesar de suas quedas".

Por outra parte, Keller enfatizou que, nessas eleições, "é possível que o governo obtenha uma maioria de deputados, apesar de conseguir menos votos que a oposição por causa de uma modificação da lei eleitoral com a intenção de favorecer o voto oficial".

O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) mudou, em janeiro, a composição das regiões eleitorais e a distribuição de deputados em oito Estados venezuelanos governados em sua maioria por adversários do governo, em uma decisão muito criticada pela oposição.

Para o presidente da Datanálisis, José Antonio Gil, perante a insistência de centrar a campanha em Chávez, a oposição deveria evitar o erro estratégico de seguir os passos do oficialismo.

"A oposição deveria reforçar a imagem de seus candidatos focando-se na pessoa do presidente, que não está na eleição, e sim precisamente nos problemas que afetaram a popularidade de Chávez: a insegurança , o desemprego, a inflação", opinou.

Segundo os especialistas, cada vez mais venezuelanos culpam Chávez pelos problemas do país, um mal que o presidente conseguira evitar até agora. A firma Hinterlaces indica que 37% dos cidadãos responsabilizam o chefe de Estado pelas falhas, enquanto a Consultores 21 destaca que 57% o consideram o principal culpado pelos problemas.

Nessas eleições, a oposição tem a oportunidade de recuperar os espaços perdidos nas últimas eleições legislativas e de medir sua aceitação popular. Elas poderão ser, além disso, a última votação nacional antes das presidenciais de 2012, nas quais Chávez aspirará a um novo mandato.

"Se for concretizado o paradoxo do governo obter a maioria de deputados com menos votos que a oposição, isso será um sinal terrível para Chávez antes das presidenciais", concluiu Keller.

Lançamento da campanha

Os partidários de Chávez comemoraram nesta quarta-feira com fogos de artifício a abertura oficial da campanha eleitoral para a eleição de 26 de setembro. Fogos foram lançadus em vários pontos da capital venezuelana e, segundo porta-vozes do PSUV, liderado por Chávez, em povoados e cidades do interior do país.

Aristóbulo Istúriz, chefe de campanha do PSUV, disse que a celebração com fogos é "um convite às 36 mil patrulhas socialistas para que saiam às ruas com paixão" para trabalhar na vitória eleitoral que manterá o controle do Parlamento em mãos revolucionárias.

Em 26 de setembro, 17 milhões de venezuelanos poderão comparecer às urnas para escolher os 165 parlamentares que integrarão a Assembleia Nacional durante os próximos cinco anos.

Momentos antes do lançamento dos fogos, Istúriz declarou à emissora "Venezolana de Televisión" que, para o PSUV, "obter a maioria não é vencer, porque temos de conseguir pelo menos os dois terços das cadeiras para poder aprovar as leis".

*Com AFP e EFE

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