População do sul de Israel exige que Exército continue bombardeando Gaza

Ana Cárdenes. Sderot (Israel), 2 jan (EFE).- O apoio à ofensiva militar sobre a Faixa de Gaza é quase unânime entre a população do sul de Israel, onde os foguetes palestinos geraram medo, raiva e a convicção de que vale de tudo para acabar com o Hamas.

EFE |

O crescente número de mortos na faixa, as numerosas vítimas civis e a dureza das imagens de dor que chegam à televisão israelense não comovem a população das comunidades próximas a Gaza, onde o apoio à operação militar é em massa e quase ninguém se mostra a favor de parar o ataque.

Das ruas de Sderot são avistados a apenas três quilômetros de distância os aviões israelenses que bombardeiam a região, mas não se ouvem seus disparos, embora, se se olhar fixamente, pode-se ver uma chama de luz cada vez que eles soltam suas cargas.

O que sim se escuta a cada certo tempo são as sirenes advertindo do lançamento de um foguete a partir da faixa, fazendo com que todo mundo deixe o que está fazendo e se esconda no refúgio mais próximo, uma rotina à qual a população desta localidade está acostumada há anos.

Nos cafés e restaurantes o povo pessoas come de costas para os canais de televisão que mostram a destruição em Gaza, mas que, sobretudo, dedicam seus espaços a mostrar imagens do medo vivido pelos povoados do sul do país e os destroços causados pelos foguetes palestinos que chegam ao território israelense.

"Cem por cento da população do sul e 90% dos israelenses apóiam esta operação. Queremos que continue e não nos importa esperar meses até que o Exército acabe com seu trabalho e expulse todas as organizações terroristas de Gaza", disse à Agência Efe Shalom Halevi, porta-voz adjunta da Prefeitura de Sderot.

Desde que começou a ofensiva militar israelense, no sábado passado, morreram em Gaza 430 pessoas e mais de 2.200 ficaram feridas, enquanto os foguetes das milícias palestinas, a maioria de fabricação caseira e elaborados com encanamentos, mataram nos últimos oito anos 16 israelenses, quatro deles esta semana.

A desigualdade de forças e o desequilíbrio entre os números de vítimas de um e outro lado, no entanto, não são nesta região motivo suficiente para chamar à contenção.

Após sete dias de contínuos bombardeios em Gaza, o Exército israelense reconheceu que tinha superestimado a capacidade balística do Hamas e que a ameaça para o sul do país é menor que o que em um primeiro momento tinha sido calculado, informou hoje o jornal "Ha'aretz".

Mas os habitantes do sul, sobretudo os das cidades onde até há apenas alguns dias nunca tinham chegado os foguetes palestinos, exigem do Exército que "faça seu trabalho até o final" e "acabe com o medo".

Na localidade de Ashdod, onde uma mulher morreu por causa do impacto de um Katyusha na terça-feira passada, o empresário Amos Yamin assegura: "Há vítimas civis, mas o que vamos fazer? Nós queremos a paz, é o Hamas que nos atira bombas o tempo todo".

Os colégios estão fechados desde que caiu o primeiro foguete e, as ruas estão mais vazias do que o habitual, mas não se percebe nervosismo na cidade, onde se podem ver algumas crianças andando de bicicleta e mulheres com seus filhos fazendo lanches nas cafeterias.

Quem é contra a continuação da ofensiva é minoria e não o manifesta abertamente.

É o caso de Aaron Medina, israelense descendente de espanhóis que opina que os bombardeios não são a solução. "Queriam demonstrar que Israel é o mais forte, mas isso todo mundo já sabia".

Medina acredita que a única saída para que haja permanentemente paz na região será um acordo político.

Dina Babulpan, gerente da Prefeitura de Ashdod, também acredita que a solução terá que ser negociada para ser definitiva, mas considera que "primeiro é preciso destruir o Hamas para depois se falar com eles".

Segundo uma enquete divulgada ontem pelo jornal "Ha'aretz", 52% dos israelenses querem que os bombardeios continuem sobre Gaza, enquanto apenas 20% da população pede que se negocie uma trégua.

Ontem à noite, cerca de 20 jovens poetas realizaram uma vigília com leitura de poemas em frente a uma casa do ministro da Defesa, Ehud Barak, de quem exigem que acabe com a destruição em Gaza.

Hoje, poucas dezenas de pessoas se manifestaram na cidade portuária de Haifa para protestar contra a ofensiva, mas a aposta pelo fim da violência é minoritária em Israel, onde inclusive o único partido pacifista, o Meretz, apoiou a sangrenta ofensiva contra a região palestina. EFE aca-amg/ma

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