Nairóbi, 20 jan (EFE).- O Quênia, país de origem da família paterna do novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, celebra com atos oficiais, shows e muita festa nas ruas a chegada do primeiro negro à Casa Branca.

Na capital queniana, Nairóbi, o principal centro de conferências da cidade, o Kenyatta International Conferencial Center (KICC), abrigava centenas de seguidores que, já no começo da manhã, se concentravam em frente aos três enormes telões que transmitiam ao vivo imagens de Washington.

Fora do local, várias barracas acolhiam os milhares de quenianos que foram às ruas comemorar a posse de Obama, visto quase como um herói no país, dados os laços familiares do 44º presidente dos EUA com o Quênia.

"É um momento de imensa alegria. Um dos nossos chegou ao lugar mais alto. Nada mais será igual a partir de agora", disse à Agência Efe Wamae Mwangi, um vendedor de camisas com estampas do rosto de Obama.

Tanto a população como a imprensa se curvaram a Obama desde que sua candidatura se materializou, prova disso é a intensa cobertura que rádios e jornais estão dando ao evento de hoje, que parece estar acontecendo no país.

O jornal "The Standard", um dos principais do Quênia, chegou a promover atos comemorativos pela posse do americano, ao passo que outros meios de comunicação destinaram a maior parte de seu espaço à biografia do ex-senador por Illinois e a seus vínculos com o país.

O lugar que provavelmente mais está comemorando a posse de Obama é Kogelo, terra natal dos pais do novo chefe de Estado americano e onde continua vivendo sua avó, Mama Sarah, que na sexta-feira viajou aos EUA para acompanhar a cerimônia.

Na bagagem, a orgulhosa avó levou presentes, como um escudo e uma lança, para que Obama não se esqueça de seus antepassados luo, etnia à qual pertencem seus familiares.

Em Kogelo, na região oeste do Quênia, como ocorreu no dia das eleições, a população saiu às ruas para ver Obama jurar seu novo cargo.

Em homenagem aos inúmeros visitantes que chegaram ao vilarejo nos últimos dias, os aldeães sacrificaram dois touros e dez frangos.

Além disso, dançaram ao som de cânticos populares.

Já em Siaya, a apenas 20 quilômetros de Kogelo, aproximadamente cinco mil pessoas acompanharam a posse de três telões que o Governo instalou para os habitantes, a maioria dos quais não tem luz nem água em casa.

A indústria do turismo também tirou proveito da ligação entre o Quênia e os EUA, a ponto de os hotéis mais luxuosos do litoral terem ficado lotados, segundo a imprensa, que disse ainda que estes estabelecimentos promoverão longas festas para comemorar a posse de Obama.

Em outro ponto do Quênia, nas florestas de Kakamega, no nordeste do país, a empresa de consultoria americana Hill & Knowlton patrocinou shows para o dia todo, que desde cedo também atraíram centenas de pessoas.

Apesar da mobilização em torno da posse do novo presidente americano, nenhum alto funcionário do Governo queniano viajou à capital americana, dada a atual crise econômica que afeta o país.

O entusiasmo dos últimos dias tirou a atenção dos quenianos de três grandes escândalos de corrupção que vieram à tona recentemente envolvendo representantes da classe política.

Maina Otieno, uma dos presentes nos atos pela posse de Obama realizados em Nairóbi, lembrou, no entanto, que os quenianos "não podem se esquecer do que acontece no país e se voltarem para os EUA". "Primeiro devemos resolver nossos próprios problemas", acrescentou. EFE pa/sc

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