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População de Nova Orleans se preocupa com impacto de Gustav na cidade

Jorge A. Bañales.

EFE |

Hammond (EUA), 31 ago (EFE) - A população de Nova Orleans demonstrou preocupação hoje com o futuro da cidade e o impacto devastador que o poderoso furacão "Gustav" pode causar amanhã, três anos depois de o "Katrina" ter atingido a localidade.

A evacuação da cidade, que começou sábado, se desenvolveu de maneira ordenada, e quase um milhão de pessoas saíram de toda a região do delta do rio Mississipi.

"Para mim, já basta, chega", disse à Agência Efe Mildred Henson, de 67 anos, uma aposentada que abandonou Nova Orleans junto com sua filha, Alice, e um cachorro. "Vivi toda a minha vida ali, é minha cidade, mas não sei se quero voltar".

A casa de Mildred e Alice, no bairro de Metaire, sofreu graves danos quando, em agosto de 2005, o furacão "Katrina" inundou mais de 80% da cidade.

A família só pôde retornar a Nova Orleans um mês depois, e quando fez isso, a casa estava deteriorada pela putrefação e pelos fungos.

"Sim, voltaremos, para onde poderíamos ir?", questionou Alice, que trabalha bibliotecária em Nova Orleans.

A devastação causada pelo "Katrina", e as imagens que deram a volta ao mundo do desamparo de dezenas de milhares de desabrigados que ficaram isolados na cidade, permanecem na memória, apesar de a cidade ter, pouco a pouco, se refeito da destruição.

Mais de 60% dos habitantes voltaram e alguns setores da economia local são pujantes, as ruas estavam limpas, muitas lojas foram reabertas e os vestígios do furacão "Katrina" ficaram quase esquecidos.

No entanto, todos os bilhões de dólares do Governo federal, do estado da Louisiana e do setor privado podem virar poeira outra vez perante a ameaça de "Gustav", de categoria 3, que tocará terra amanhã, em algum ponto do litoral.

"Sofrer tudo isto outra vez é cansativo", afirmou à Efe Elias Ahud, um comerciante palestino-colombiano, que tem uma loja de telefones e câmeras digitais no centro da cidade.

"Outra vez, estamos colocando tudo em caixas, é necessário tapar as vidraças. É possível que voltemos, mas tudo dependerá de como a cidade vai ficar. Mas é esgotante", acrescentou.

Cindy, uma estudante de 19 anos que, durante a evacuação, levou os dois filhos, o pai e a mãe para um hotel mais de 100 quilômetros ao norte de Nova Orleans, encara a emergência com placidez.

O que mais a incomodava, enquanto a região aguarda o furacão, é a insistência da mãe de que não deveria se esquecer das tarefas da universidade.

"Voltar para Nova Orleans?", questionou. "Claro, claro que sim.

Depende de se teremos uma casa para a qual voltar".

O imóvel da família está em West Bank, no município de Jefferson, ao sul de Nova Orleans, e essa é uma das zonas onde as autoridades apressaram a evacuação e temem a gravidade da ressaca que o "Gustav" provocar.

Douglas Stern, de 47 anos, enfrenta seu retorno a Nova Orleans com mais resignação do que com entusiasmo.

É carpinteiro e a casa que divide com a esposa, Karen, sofreu danos moderados em 2005, mas não faltou trabalho para ele na reconstrução de todos os imóveis danificados.

"Trabalho lá, e suponho que se houver cidade depois de 'Gustav', voltaremos para Nova Orleans", disse Stern.

"Mas, desde 2005, foi um problema receber pelos trabalhos: as pessoas não têm dinheiro, e lidar com as companhias de seguros é um inferno", acrescentou.

Durante a tarde, as estradas ainda continuavam cheias de veículos em um lento êxodo no qual não parece ter ocorrido contratempos.

O governador da Louisiana, Bob Jindal, destacou que não é possível ficar na cidade nem nos arredores, e que a Guarda Nacional garantirá a segurança e protegerá os bens dos cidadãos.

Jindal disse em entrevista coletiva na capital desse estado, Baton Rouge, que foi mobilizado um total de 50 mil soldados da Guarda Nacional, e que há 16 mil adicionais para que apóiem nas tarefas de socorro de desabrigados e na vigilância das áreas despovoadas.

"Agora é o momento de ir, resta tempo, levem a sério isto. Não se conformem com que algumas previsões dizem que é um furacão de categoria 3, pode ser muito, muito pior", declarou Jindal, ao insistir na mensagem reiterada pelas autoridades.

A presença de policiais e soldados da Guarda Nacional é ostensiva para manter a ordem e mostrar, além disso, que será implacável com aqueles se esconderem para cometer atos de pilhagem.

O prefeito de Nova Orleans, Ray Nagin, reiterou em declarações para uma emissora local de rádio que "não haverá a menor tolerância para os saqueadores, e qualquer pessoa detida que estiver saqueando irá diretamente para a prisão".

Na cidade e nos bairros será aplicado, a partir do anoitecer, um toque de recolher que se estenderá até o amanhecer.

Segundo o Centro Nacional de Furacões (NHC, em inglês), com sede em Miami, o "Gustav" atingirá na segunda-feira o litoral da Louisiana como um furacão de fortíssima intensidade e, por enquanto, segue avançado com vento de 195 km/h, que o transformam em um ciclone de categoria 3. EFE jab/bm/db

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