Pontificado de Bento 16 marcado pela controvérsia

O pontificado de Bento 16, que completa cinco anos na segunda-feira, dia 19, está marcado por uma série de controvérsias em sua maioria provocadas por declarações, decisões ou omissões do chefe da Igreja Católica. Veja a lista a seguir:

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Papa Bento XVI

Papa Bento 16

- O nazismo e a Alemanha (Auschwitz, maio de 2006): durante sua peregrinação ao campo de extermínio de Auschwitz, Bento 16 atribuiu a responsabilidade dos crimes do nazismo a "um grupo de criminosos que abusaram do povo alemão para se servir dele como instrumento de sua sede de destruição e de dominação". Essa frase, pronunciada por um papa de origem alemã, desatou polêmica por parecer ter objetivo de isentar seu povo.

- O Islã e a violência (discurso de Ratisbona, setembro de 2006): o tema da conferência do papa em uma universidade bávara se centrou nos vínculos entre a fé e a razão. Mas a citação de um imperador bizantino do século 12 sobre os laços entre o Islã e a violência provocou uma onda de indignação no mundo muçulmano. Essa crise levou Bento 16 a multiplicar seus apelos ao diálogo entre as religiões "respeitando suas diferenças".

- Povos autóctones e conversão (Brasil, maio de 2007): durante sua visita ao Brasil, o papa afirmou que a evangelização dos povos autóctones da América "não levou em momento algum a uma alienação das culturas pré-colombianas e não impôs uma cultura estrangeira", guardando silêncio a respeito das matanças que acompanharam a evangelização na América. Dez dias depois, após a polêmica provocada por suas declarações, Bento 16 evocou os "sofrimentos e injustiças" daqueles povos durante a conquista do continente.

- Aborto e política (Brasil, maio de 2007): a bordo de um avião que o levava ao Brasil, o papa justificou as ameaças de excomunhão de certos bispos contra políticos que legalizam o aborto. O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, hostil ao aborto "como cidadão", enfatizou que precisava responder como "chefe de Estado" a um problema "de saúde pública".

- Missa em latim e o Vaticano 2.º (julho de 2007): Bento 16 liberou por decreto papal a missa em latim, ou a Missa Tridentina, de acordo com a liturgia romana anterior à reforma do Concílio Vaticano 2.º, dando curso à reinvidicação dos católicos tradicionalistas, o que inquietou os progressistas dentro da Igreja. O papa afirmou que o Concílio Vaticano 2.º faz parte da continuidade da história da Igreja Católica, enquanto os progressistas o interpretam como uma ruptura.

- Integrismo e negacionismo (janeiro de 2009): um decreto papal levanta a excomunhão de quatro bispos integristas, incluindo do britânico Richard Williamson, que manteve publicamente uma postura negacionista. Essa decisão provocou uma enorme controvérsia, assim como profundas tensões com o mundo judeu e mal-estar com parte dos católicos, o que obrigou o Vaticano a se retificar.

- O preservativo e a aids (março de 2009): em um avião que o levava à África, o papa declarou que não se podia "resolver o problema da aids com a distribuição de preservativos" e , "ao contrário, isso agravava o problema". A indignação por essas declarações foi geral, dos responsáveis políticos até representantes de associações civis.

- Pio 12 (dezembro de 2009): Bento 16 proclama venerável o papa Pio 12, questionado por seu silêncio durante o Holocausto cometido pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, o que causou fortes protestos das comunidades judaicas de Berlim e Roma, entre outras.

- Pedofilia (princípio de 2010): a revelação da magnitude dos casos de pedofilia no clero irlandês, conhecida durante 2009, à qual se somaram novas revelações em inúmeros países da Europa e nos Estados Unidos, começou a incomodar o papa com artigos na imprensa alemã e americana, onde foi condenado por seu silêncio e pela falta de ação diante dos casos de pedofilia , principalmente quando era arcebispo de Munique e chefe da Congregação para a Doutrina da Fé.

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