Por Julie Steenhuysen CHICAGO (Reuters) - Poluentes podem estar contribuindo para um forte aumento no número de casos de doenças hepáticas, disseram pesquisadores dos EUA na sexta-feira.

Eles disseram que até um terço dos adultos norte-americanos apresentam sinais de terem uma doença hepática não-relacionada a causas habituais, como o abuso do álcool e a hepatite viral.

Embora a obesidade seja um fator preponderante nesse aumento, a poluição ambiental também pode ter influência, segundo o médico Matthew Cave, da Universidade de Louisville, no Kentucky, que apresenta suas conclusões neste fim de semana numa conferência sobre doenças digestivas em Chicago.

"Nosso estudo mostra que alguns desses casos podem ser atribuídos a poluição ambiental, mesmo depois de ajustes para a obesidade, que é um outro importante fator de risco para a doença hepática", disse Cave em nota.

Ele e seus colegas estudaram o papel dos produtos químicos nas doenças hepáticas em 4.500 pessoas que participaram de um estudo nacional sobre saúde e nutrição entre 2003 e 2004.

Foi avaliada a exposição crônica de baixo nível a 111 poluentes comuns, como chumbo, mercúrio e pesticidas, e sua associação com doenças hepáticas inexplicáveis em adultos. Esses poluentes foram encontrados em pelo menos 60 por cento dos casos.

A associação foi significativa mesmo realizando ajustes para descontar a influência de fatores como diabetes, obesidade, raça, gênero e pobreza, segundo Cave.

Há mais de 90 doenças hepáticas, sendo hepatite e cirrose as mais conhecidas. Segundo a Fundação Americana do Fígado, doenças hepáticas crônicas são a décima principal causa de mortes nos EUA, gerando custos anuais em saúde de cerca de 10 bilhões de dólares.

A incidência vem aumentando nos EUA junto com as taxas de obesidade, condição que prejudica o funcionamento do fígado.

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