Polônia recebe restos mortais de presidente em meio da comoção

Nacho Temiño. Varsóvia, 11 abr (EFE).- Os restos mortais do presidente polonês Lech Kaczynski, morto na queda do avião presidencial em que viajava acompanhado de mais 95 pessoas, foram recebidos hoje em Varsóvia, em meio a grande comoção de milhares de pessoas, entre elas seu irmão gêmeo, o ex-primeiro-ministro Jaroslaw Kaczynski.

EFE |

Enquanto o povo ocupava as ruas à espera do cortejo fúnebre, o primeiro-ministro, Donald Tusk, o presidente do Parlamento e chefe de Estado interino, Bronislaw Komorowski, e o presidente do Parlamento Europeu, Jerzy Buzek, acompanharam o féretro no aeroporto de Varsóvia.

Os restos do líder chegaram a bordo de um avião militar polonês.

Apesar dos desejos da família, o corpo de Kaczynski não pode ser repatriado junto com o de sua mulher, Maria Kaczynski, também morta na tragédia aérea, porque o dela não estava entre os 24 já identificados.

Na pista do aeroporto também aguardava o irmão do presidente Jaroslaw Kaczynski, a quem coube nesta madrugada a tarefa de reconhecer o corpo do irmão.

Além dele, estavam outros familiares, como a filha do governante, Marta, visivelmente emocionada.

Marta e Jaroslaw foram os primeiros que se ajoelharam e beijarem o caixão, coberto pela bandeira polonesa e escoltado por quatro oficiais com sabres ao alto.

Em seguida, os demais familiares e personalidades políticas e representantes de altas instituições presentes fizeram o mesmo, em um dos momentos mais solenes e emocionantes.

A mãe dos gêmeos Kaczynski, Jadwiga, está internada em um hospital em Varsóvia devido ao delicado estado de saúde e ainda não sabe da morte do filho, com quem mantinha um relacionamento bem próximo.

Após a recepção e as honras militares e religiosas, o cortejo fúnebre partiu em direção ao palácio presidencial em um percurso acompanhado por milhares de pessoas, que aguardavam em pé na rua com bandeiras e fotografias do casal presidencial.

No entorno do palácio milhares de cidadãos vindos de toda Polônia estavam concentrados desde as primeiras horas da manhã, impacientes para homenagear ao presidente.

Quem não conseguiu comparecer à cerimônia estava em frente a um televisor comovido acompanhando os ritos de despedida. Em Varsóvia, neste domingo, o trânsito está praticamente paralisado devido à quantidade de pessoas nas ruas.

Não se via uma comoção nacional assim na Polônia desde a morte do papa João Paulo II.

O porta-voz do Executivo, Pawel Grass, informou previamente da intenção do Governo de velar o corpo no palácio Presidência para que todos os poloneses possam se despedir do governante, mas para isso é necessária uma autorização da família.

A catástrofe ocorreu no sábado, quando a delegação liderada por Lech Kaczynski viajava para participar da cerimônia em lembrança dos 20 mil oficiais e soldados poloneses assassinados pelos serviços secretos de Stalin, em Katyn (Rússia), há 70 anos.

Logo após a tragédia, a Polônia decretou uma semana de luto nacional na qual a maioria das atividades culturais e esportivas serão cancelas, entre estas a fase final da Liga dos Campeões de vôlei que deveria ser disputada em Lodz.

Já no sábado à noite, boates e bares fecharam as portas em uma antecipação ao decreto de luto nacional que começou hoje.

Na Rússia, entretanto, prosseguem as investigações sobre as causas do acidente com o avião presidencial.

Tomasz Pietrzak, segundo piloto presidencial, descartou o erro de seu companheiro, embora os analistas russos que analisaram as caixas-pretas apontaram que não existiu nenhuma falha técnica.

Pietrzak disse que a aterrissagem poderia ter produzido por ordem do presidente, para evitar um atraso, como já ocorreu em outras ocasiões em que o chefe de Estado insistiu para chegar apesar das condições adversas, como as de ontem.

Além da dor coletiva e as possíveis causas da catástrofe, a Polônia encara agora uma semana de luto e a necessidade de recompor o mais rápido possível suas instituições, incluindo a Presidência do Governo, o Banco Nacional e o Estado-Maior do Exército, cujos responsáveis morreram em Smolensk. EFE nt/dm

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