Polônia pede ajuda internacional para preservar Auschwitz

Nacho Temiño. Oswiecim (Polônia), 27 jan (EFE).- Sobreviventes de Auschwitz e representantes de todo o mundo lembraram hoje o 65º aniversário da libertação do campo de concentração por tropas do Exército vermelho, com um chamado da Polônia à comunidade internacional para preservar o local, diante da necessidade de um grande investimento.

EFE |

A emoção suplantou o frio da paisagem invernal que se estende pelo campo nevado de Auschwitz-Birkenau, onde centenas de pessoas participaram do memorial em homenagem às vítimas do Holocausto, um ato realizado no mesmo cenário onde os nazistas enviavam suas vítimas para a morte nas câmaras de gás.

O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, aproveitou seu discurso para pedir ajuda da comunidade internacional para manter vivo o recinto de Auschwitz-Birkenau, "a evidência de um crime que alguns querem agora negar".

"Confio que mais países devem se unir ao nosso esforço", assinalou Tusk, em referência aos problemas econômicos do museu em que se transformou o campo de concentração, que precisa de grandes investimentos para manter de pé seus prédios, "salvar os cabelos humanos, os óculos, as dentaduras e, inclusive, os brinquedos, as provas do genocídio".

"Lembrar o que ocorreu em Auschwitz é importante para evitar que voltem a ser registrados crimes como esses", lembrou o presidente da Polônia, Lech Kaczynski, quem começou seu discurso dedicando suas palavras aos 150 sobreviventes presentes e os que foram assassinados pela loucura nazista.

"Lembrando do passado ajudamos a criar um futuro de decência e verdade para todos os homens", acrescentou o chefe do Governo israelense, Benjamin Netanyahu, antes de se juntar aos demais representantes internacionais que lembraram as vítimas do campo.

Em 27 de janeiro de 1945, o Exército soviético abria as portas do inferno em Auschwitz-Birkenau, para a saída de pouco mais de 7,5 mil prisioneiros que recuperavam a liberdade depois de sobreviverem ao horror dos campos de concentração nazistas, onde Adolf Hitler colocou em prática com mortífero êxito sua "solução final".

Possivelmente, os soldados soviéticos se depararam com um cenário similar, congelado pelo intenso frio, como o de hoje, com uma temperatura de 15 graus negativos, um frio capaz de congelar até as pálpebras, mas incapaz de esconder a desolação e a morte que reinava nesta prisão.

Junto da sombra dos sobreviventes, os libertadores descobriram nos armazéns mais 1 milhão de ternos e vestidos e oito toneladas de cabelo humano, que os nazistas usavam como matéria-prima para a fabricação de tecido.

Calcula-se que mais de 1,1 milhão de pessoas, em sua maioria judeus, morreram em Auschwitz e no campo anexo, Birkenau, em consequência das surras, nas câmaras de gás Zyklon B, de fome, e do esgotamento e das doenças.

O sobrevivente Moshe Haelion, de 85 anos, lamentou o fato de ainda existir pessoas que questionem o Holocausto, e pediu esforços para que os jovens saibam das atrocidades cometidas pelo nazismo durante a Segunda Guerra Mundial.

"Os que negam são estúpidos cegos pelo anti-semitismo. Eu estive aqui e sei o que aconteceu", explicou à Agência Efe.

"Fui levado para Auschwitz a partir da Grécia em abril de 1943, quando tinha 18 anos, e embora jamais tivesse trabalhado, fui obrigado a cavar fundações, transportar mortos. Muitas vezes pensei que não sobreviveria, como ocorreu com muitos que chegaram e que diariamente desapareciam", lembra.

Haelion e os demais participantes lamentaram a ausência no 65º aniversário do letreiro original "Arbeit macht frei" (O trabalho liberta), que estava na entrada do campo e foi roubado em dezembro, mas recuperado recentemente pela Polícia.

Atualmente uma cópia está no lugar enquanto uma equipe de restauradores poloneses trabalha na reparação da placa feita em ferro fundido, fabricado pelos prisioneiros por ordem das autoridades nazistas, e que os ladrões dividiram em três partes para facilitar o transporte e a venda a uma colecionadora.

Em 26 de janeiro de 2007, as Nações Unidas decidiram condenar qualquer negação ao Holocausto com a criação do dia 27 de janeiro como Dia Internacional em Lembrança das Vítimas deste genocídio.

O complexo mortífero formado por Auschwitz-Birkenau foi transformado em museu em 1947 e 30 anos depois foi declarado patrimônio da Humanidade pela Unesco. EFE nt/dm

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