Polônia: Milhares vão a Cracóvia para enterro do presidente

Milhares de pessoas foram a Cracóvia, na Polônia, neste domingo para o enterro do presidente polonês, Lech Kaczynski, que foi uma das 96 vítimas de um desastre aéreo no fim de semana passado. Após uma missa na basília de Santa Maria, Kaczynski será enterrado ao lado da mulher, Maria Kaczynska, na catedral de Wawel, que tradicionalmente recebe abriga os despojos mortais de reis e herois nacionais da Polônia.

BBC Brasil |

No sábado, diversos líderes que planejavam participar das cerimônias cancelaram a sua presença, por causa do caos aéreo provocado pelas cinzas vulcânicas na Europa. No entanto, o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, entre outros de países vizinhos viajaram à Polônia, apesar das restrições.

Depois da missa, os caixões do casal presidencial passarão pela histórica praça central da cidade em uma procissão marcada por bandeiras da Polônia, laços pretos e fotos de ambos.

Só então, eles serão enterrados na catedral de Wawel. A decisão de conferir tal honraria ao falecido líder provocou protestos entre a oposição.

A expectativa é de que o enterro seja acompanhado por milhares de pessoas, depois de uma semana de luto que mobilizou o país. No sábado, milhares participaram de uma cerimônia nas ruas da capital, Varsóvia.

O avião do governo polonês caiu no oeste da Rússia no dia 10 de abril, quando uma comitiva presidencial voava para uma cerimônia em homenagem a poloneses assassinados pela polícia secreta do ditador soviético Josef Stalin em Katyn, durante a 2ª Guerra Mundial.

Além do presidente e sua esposa, os chefes dos três braços das Forças Armadas e diversos líderes políticos da Polônia perderam a vida no acidente.

Investigadores acreditam que o desastre tenha sido causado por erro humano, já que o avião teria batido em árvores em meio a forte neblina na região de Smolensk, onde aconteceria a cerimônia.

No sábado, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e outros líderes mundiais enviaram mensagens ao presidente polonês interino, Bronislaw Komorowski - o líder da câmara baixa do Parlamento polonês -, para cancelar a presença no enterro.

Obama escreveu que lamenta que a nuvem de cinza vulcânica o tenha obrigado a cancelar sua viagem.

Anúncios semelhantes foram feitos pela chanceler alemã, Angela Merkel, o príncipe Charles, da Grã-Bretanha e os reis da Suécia, Espanha e Noruega.

Merkel levou 36 horas para chegar a Berlim, depois de decolar de São Francisco, nos Estados Unidos, ser obrigada a pousar em Portugal e seguir por terra até a Alemanha.

No sábado, a cerimônia na praça Pilsudski, a maior da capital, Varsóvia, começou com o toque de sirenes em todo o país, seguido por pronunciamentos do primeiro-ministro polonês, Donald Tusk. Depois disso, foi realizada uma missa em homenagem aos mortos.

A cerimônia foi realizada em um palco especialmente construído para o evento, em forma de escadaria, no qual foram afixadas fotografias de todas as vítimas atrás de uma grande cruz branca.

A missa foi celebrada por bispos poloneses e pelo enviado especial do Vaticano, cardeal Angelo Soldano.

Com a morte de Kaczynski, as eleições presidenciais no país deverão ser antecipadas. De acordo com a Constituição polonesa, a data tem que ser fixada até o fim de junho.

No sábado, o premiê polonês visitou o local do acidente junto com o premiê russo, Vladimir Putin, responsável pela investigação para determinar as causas do acidente. O irmão do presidente, Jaroslaw Kaczynski, também tinha viajado à Rússia para ajudar na identificação do corpo do presidente.

As autoridades russas se comprometeram a dar total prioridade ao inquérito, que incluirá a formação de um comitê governamental.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG