Milhares de pessoas participaram neste sábado de um funeral de três horas para as 96 vítimas - entre elas o presidente da Polônia, Lech Kaczynski e diversas autoridades do governo e militares - de um acidente aéreo no fim de semana passado. A cerimônia, na praça Pilsudski, a maior da capital, Varsóvia, começou com o toque de sirenes em todo o país, seguido por pronunciamentos do primeiro-ministro polonês, Donald Tusk.

Depois disso, foi realizada uma missa em homenagem aos mortos.

A cerimônia aconteceu em um palco especialmente construído para o evento, em forma de escadaria, no qual foram afixadas fotografias de todas as vítimas atrás de uma grande cruz branca.

A missa foi celebrada por bispos poloneses e pelo enviado especial do Vaticano, cardeal Angelo Soldano.

Foi nesta mesma praça que o papa João Paulo 2 rezou uma missa durante a sua primeira peregrinação ao seu país-natal, em 1979.

A multidão nas ruas de Varsóvia é tão grande que muitos estão assistindo à cerimônia em telões na praça Pilsudski e até no parque ao lado.

Minuto de silêncio
A Polônia também observou um minuto de silêncio às 8h56m (3h56m, no horário de Brasília), para marcar a queda do avião que transportava o presidente Kaczynski no sábado passado.

Em Varsóvia, até o trânsito e pedestres pararam para lembrar da maior tragédia em tempos de paz na Polônia.

Depois da cerimônia fúnebre, os caixões de Kaczynski e sua mulher Maria Kaczynksa, que vinham sendo velados no palácio presidencial desde terça-feira, foram levados para a catedral de São João, e finalmente, para Cracóvia, onde terão uma última noite de vigília.

O enterro deve acontecer no domingo, e era aguardada a presença de delegações com autoridades de cerca de 80 países, entre elas, o presidente americano, Barack Obama.

No entanto, teme-se que a nuvem de cinzas vulcânicas que parou o transporte aéreo na Europa nos últimos dias impeça a viagem de muitos dignatários.

A família do falecido presidente, entretanto, insistiu na realização do enterro neste domingo.

Segundo as autoridades polonesas, até o momento, nenhum governo cancelou a presença.

Com a morte de Kaczynski, as eleições presidenciais no país deverão ser antecipadas. De acordo com a Constituição polonesa, a data tem que ser fixada até o fim de junho.

'Tragédia comum'
O líder da Câmara Baixa do Parlamento polonês, Bronislaw Komorowski, assumiu interinamente o cargo deixado pelo seu antecessor.

"É o evento mais trágico na história da Polônia no pós-guerra", afirmou o premiê polonês, Donald Tusk, em uma declaração transmitida pela televisão.

"Hoje, diante deste drama, nossa nação permanece unida. Não há divisões entre esquerda e direita, diferenças políticas não interessam. Estamos juntos na tragédia."
No sábado, o premiê polonês visitou o local do acidente junto com o premiê russo, Vladimir Putin, responsável pela investigação para determinar as causas do acidente. O irmão do presidente, Jaroslaw Kaczynski, também tinha viajado à Rússia para ajudar na identificação do corpo do presidente.

As autoridades russas se comprometeram a dar total prioridade ao inquérito, que incluirá a formação de um comitê governamental.

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