Polônia homenageia mortos em tragédia, promete nunca esquecê-los

Por Gabriela Baczynska VARSÓVIA (Reuters) - A Polônia lembrou com emoção neste sábado o presidente Lech Kaczynski, a primeira-dama Maria e outras 94 pessoas, em sua maioria autoridades políticas e militares, que morreram em um acidente da avião há uma semana na Rússia.

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Até 100.000 pessoas, muitas segurando a bandeira do país com uma faixa negra de luto, reuniram-se na imensa Praça Pilsudski, no centro de Varsóvia, para homenagear as vitimas do acidente mais devastador do país desde a 2a Guerra Mundial.

"Todos eles tinham seus sonhos e esperanças para o futuro de sua pátria. Este é um grande teste para nós entendermos essas esperanças e levá-las para o futuro", afirmou à multidão o primeiro-ministro Donald Tusk, que já foi um rival político de Kaczynski.

"Isto é o máximo que podemos fazer por eles. Estamos aqui para relembrá-los. A Polônia está aqui para relembrá-los. Não nos esqueceremos", disse Tusk.

Atrás dele no palco estava uma grande cruz branca entre dois painéis pretos com os retratos dos mortos, cujos nomes foram lidos um a um por um ator.

O irmão gêmeo de Kaczynski, Jaroslaw, ex-primeiro-ministro e que agora chefia o principal partido de oposição do país, sentou-se à frente da multidão com outros membros da família, incluindo a filha do presidente, Marta, de 29 anos. Kaczynski tinha dois netos.

A cerimônia deste sábado, que incluiu uma salva de tiros e um réquiem católico, ocorreu um dia antes do enterro de Kaczynski e sua mulher na cripta da Catedral de Wawel, na antiga capital Cracóvia, no sul da Polônia.

Líderes mundiais, incluindo o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, estavam programados para comparecer ao funeral, mas uma imensa nuvem de cinzas vulcânicas da erupção de um vulcão na Islândia fechou os aeroportos da Polônia e não está claro quantos conseguirão chegar a tempo.

O instituto de meteorologia polonês disse que as cinzas cobriram todo o território da Polônia neste sábado, mas iriam se dispersar parcialmente no começo do domingo.

Kaczynski e sua equipe estavam indo no ultimo sábado para a Floresta Katyn, perto de Smolensk, no oeste da Rússia, para lembrar o 70o aniversário do massacre de 22.000 poloneses pela polícia secreta russa.

O acidente chocou a Polônia. Dezenas de milhares de pessoas foram às ruas de Varsóvia para o retorno dos caixões, e o local em frente ao palácio do presidente foi transformado em um santuário para os mortos, enfeitado com velas, flores, crucifixos e bandeiras do país.

O atual presidente da Polônia, Bronislaw Komorowski, afirmou que a tragédia uniu os poloneses de todas as concepções políticas e agradeceu aos líderes da Rússia pela cooperação após o acidente e pelos gestos de solidariedade.

A Polônia tem há tempos um relacionamento difícil com a Rússia, seu antigo mentor na era comunista, mas os poloneses esperam que a segunda tragédia em Katyn possa ajudar uma cuidadosa reaproximação iniciada por Tusk.

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