Por Gabriela Baczynska e Pawel Sobczak VARSÓVIA (Reuters) - O partido do governo da Polônia informou na quarta-feira que as eleições presidenciais provavelmente ocorrerão em 20 de junho, enquanto aumentavam os protestos pelo local escolhido para o enterro do presidente Lech Kaczynski.

Alguns poloneses reagiram com revolta ao plano divulgado na terça-feira por um cardeal de enterrar o presidente falecido e a mulher dele, Maria, na Catedral Wawel, em Cracóvia, lugar normalmente reservado aos heróis nacionais, aos poetas e reis.

O alvoroço expôs os primeiros rachas na demonstração de união nacional que se seguiu à morte de Kaczynski num acidente aéreo, dias antes de líderes mundiais, incluindo o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, viajarem à Polônia para o funeral de domingo.

Um total de 96 pessoas morreu no acidente perto de Smolensk, no oeste da Rússia, no sábado, incluindo comandantes militares poloneses, membros importantes da oposição e o presidente do Banco Central.

Kaczynski e sua entourage estavam viajando para marcar o 70o aniversário do massacre de mais de 20 mil oficiais poloneses pela polícia secreta soviética na floresta de Katyn.

Dezenas de milhares de pessoas em luto saíram às ruas de Varsóvia para saudar a chegada do corpo no fim de semana e a muitos ficaram na fila debaixo de chuva durante horas para ver os caixões do casal no palácio presidencial na capital.

Os planos para o enterro, no entanto, provocaram uma forte reação. O apoio a Kaczynski, nacionalista e eurocético, havia caído para 20 por cento antes da morte dele.

"APRESSADO E EMOCIONAL"

O principal jornal polonês, o Gazeta Wyborcza, chamou a decisão de "apressada e emocional" num editorial de primeira página. Andrzej Wajda, o influente diretor polonês laureado pelo Oscar que fez um filme sobre a tragédia de Katyn, escreveu ao jornal pedindo que a decisão sobre o enterro fosse revertida.

O presidente em exercício, Bronislaw Komorowski, o presidente da Câmara dos Deputados e o candidato presidencial do partido Plataforma Cívica (PO), do premiê Donald Tusk, conversaram na quarta-feira com os partidos políticos para marcar uma data para a eleição presidencial.

Eles concordaram em chegar a uma decisão final até a semana que vem. Uma autoridade importante do PO afirmou que a eleição muito provavelmente ocorreria em 20 de junho.

Sob as regras da constituição polonesa, a eleição precisa ocorrer dentro de 60 dias a partir do anúncio da data e a pequena demora dá ao partido da Lei e Justiça (PiS), liderado pelo irmão gêmeo de Kaczynski, Jaroslaw, e ao principal partido de esquerda, o SLD, um tempo a mais para definir candidatos.

O candidato presidencial do SLD também morreu no acidente aéreo.

Um porta-voz do Ministério da Saúde da Rússia disse na quarta-feira que 64 vítimas do acidente haviam sido identificadas formalmente e que os restos de 30 seriam repatriados à Polônia.

Além de Obama, o presidente russo, Dmitry Medvedev, e a chanceler alemã, Angela Merkel, deverão comparecer ao funeral de Kaczynski e de sua mulher em Cracóvia.

(Reportagem adicional de Wojciech Zurawski em Cracóvia e de Dagmara Leszkowicz em Varsóvia)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.