Poloneses votam em disputa presidencial acirrada

Liberal pró-europeu é favorito, mas irmão de presidente morto pode levar disputa ao segundo turno

AFP |

Os colégios eleitorais abriram neste domingo na Polônia para o primeiro turno da eleição presidencial organizada para escolher o substituto do presidente Lech Kaczynski, morto em um acidente aéreo em 10 de abril passado .

Reuters
Polonesa vota neste domingo no primeiro turno das eleições presidenciais

Os principais candidatos são o presidente interino Bronislaw Komorowski, um liberal pró-europeu, favorito nas pesquisas, e o irmão gêmeo do presidente morto, conservador nacionalista Jaroslaw Kaczynski.

Segundo pesquisa publicada na sexta, Komorowski, de 58 anos, poderia obter 51% dos votos, embora outras sondagens afirmam que o duelo com Kaczynski, de 61 anos, vai se arrastar num segundo turno, no dia 4 de julho.

Komorowski é o presidente da Câmara Baixa do Parlamento e chefe de Estado interino desde a morte de Lech Kaczynski num acidente de avião em Smolensk, oeste da Rússia, no qual também morreram sua esposa e outros 94 passageiros.

A eleição presidencial está fortemente marcada por essa tragédia, assim como pelas recentes inundações que devastaram o sul do país. Nessa sucessão de infelicidades, os símbolos se converteram em elementos essenciais das campanhas eleitorais, comentou Eryk Mistewicz, especialista em marketing político. No seu entender, os termos "Polônia", "patriotismo" ou "família" estão muito presentes nos discursos dos dois principais candidatos.

Conhecido por sua retórica virulenta contra os adversários, Kaczynski esforçou-se para manter uma linguagem mais moderada durante a campanha eleitoral.

Em luto pela morte de seu irmão gêmeo, o candidato conservador faz um apelo ao consenso, assim como o adversário.

Também usou palavras de apreço para com a Rússia e a Alemanha, o que representa uma viravolta em seu discurso anterior, mais hostil contra ambas as potências, e durante seu mandato como primeiro-ministro, de 2006 a 2007. Komorowski também tem evitado atacar frontalmente o principal adversário.

No entanto, na opinião pública, as divisões entre os simpatizantes do partido liberal no poder e os da oposição conservadora são muito visíveis e se exacerbaram, segundo os analistas. "Essas divisões sempre existiram, mas a tragédia de Smolensk fez com que explodissem emoções até agora contidas", considera Wnuk-Lipinski.

"Com um racha, a Polônia não sairá nem mais forte nem mais patriótica, mas profundamente dividida", advertiu recentemente Wlodzimierz Cimoszewicz, ex-primeiro-ministro de esquerda que apoia Komorowski.

    Leia tudo sobre: polôniaeleições

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG