Políticos do Zimbábue decidem aprovar lei para Governo de unidade

Harare, 5 fev (EFE).- Os principais partidos políticos rivais do Zimbábue decidiram hoje aprovar uma lei que permitirá formar o Governo de unidade pactuado em setembro do ano passado, mas que ainda não foi colocado em prática.

EFE |

A ratificação da emenda ocorre após cinco longos meses de negociações entre a governamental União Africana Nacional do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF), de Robert Mugabe, e a opositora Movimento para a Mudança Democrática (MDC), de Morgan Tsvangirai e Arthur Mutambara.

Na quarta-feira, as duas organizações políticas se reuniram na África do Sul depois que o MDC acusou o partido no poder de voltar atrás em determinados assuntos aos quais já tinha se comprometido.

No entanto, representantes dos dois partidos declararam hoje que estão dispostos a votar em favor de uma emenda constitucional concedendo poderes ao novo Governo de unidade.

"Chegamos a um acordo a respeito de algumas das questões pendentes, o que nos permite votar a favor da emenda constitucional número 19", disse hoje à Agência Efe o porta-voz do MDC, Nelson Chamisa.

O MDC negava-se até agora a aceitar o tratamento proposto pela Zanu-PF para compartilhar o poder, já que sustentavam que o partido governamental pretendia ficar com todos os ministérios mais importantes e com os dez cargos de governadores provinciais.

Chamisa, que afirmou não ter recebido informações detalhadas sobre quais assuntos ficaram resolvidos, insinuou que a Zanu-PF permitiu que o MDC ficasse à frente de algumas das Administrações de província.

O presidente da Assembleia Nacional, Joram Gumbo, confirmou que espera-se que o Parlamento do Zimbábue aprove a lei hoje, enquanto "é possível que, se não houver tempo suficiente, o Senado se reúna para o mesmo amanhã".

Além disso, Tsvangirai deve ser empossado hoje como primeiro-ministro e o novo gabinete ministerial será formado, provavelmente, no próximo sábado.

O Zimbábue está em meio a uma profunda crise política e econômica, que se agravou após o primeiro turno das eleições gerais de março do ano passado, quando a oposição conseguiu obter maioria absoluta no Parlamento, mas não teve votos suficientes para conseguir a Presidência, segundo os números da Comissão Eleitoral.

Desde então, o país vive sem um Governo efetivo, o que impediu a imposição de medidas para controlar uma epidemia de cólera e controlar a inflação mais alta do mundo. EFE rt/an

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