Políticos da Ucrânia brigam após acordo com Rússia

Países ratificam acordo para prolongar por 25 anos a permanência da frota russa no Mar Negro

iG São Paulo |

nullO Parlamento da Ucrânia aprovou nesta terça-feira um polêmico acordo que autoriza a permanência de uma base naval russa no Mar Negro, em uma sessão marcada por incidentes violentos no plenário e por protestos do lado de fora.

Os deputados aprovaram, com 236 votos favoráveis de um total de 450 representantes, o acordo que prevê a permanência da base russa até 2042.

Imediatamente após o anúncio da aprovação do acordo, deputados governistas e de oposição iniciaram uma briga dentro do Parlamento.

Pelo menos três bombas de fumaça foram lançadas em direção à mesa da Presidência do Parlamento e da tribuna reservada para os ministros. Além disso, duas bombas de fumaça obrigaram vários deputados a abandonar a sala, já que a abertura das portas não ajudou a ventilar o recinto.

Vários opositores lançaram ovos contra o presidente do Parlamento, Vladimir Litvin, que se protegeu com um guarda-chuva.

Do lado de fora do Parlamento, milhares de opositores pró-ocidentais gritaram "Morte aos traidores" e "O Mar Negro é nosso, fora a frota de Moscou".

Um grande dispositivo policial tentou impedir o avanço dos manifestantes até a sede do Legislativo e mantê-los afastados das centenas partidários do presidente Vicktor Yanukovich, reunidos atrás de uma faixa com a frase: "Ucrânia e Rússia, aliados estratégicos".

Aprovação em Moscou

Em Moscou, a Duma, Câmara Baixa do Parlamento russo, também aprovou o acordo, com 410 votos favoráveis e nenhum contrário.

Antes de realizar sua votação, a Duma recebeu com aplausos o anúncio da ratificação por parte do Parlamento ucraniano.

A assinatura do acordo com a Rússia equivaleu para a Ucrânia um desconto de 30% na compra do gás natural russo, que as autoridades ucranianas avaliaram em aproximadamente US$ 40 bilhões.

A oposição ucraniana tinha convocado um boicote ao acordo sobre a base naval, assinado na cidade ucraniana de Jarkov pelos presidentes dos dois países, por considerá-lo inconstitucional e atentatório contra a soberania do país.

"Estou convencido de que agora a sociedade e as forças políticas devem ter consciência de que é preciso defender a Ucrânia", disse a ex-primeira-ministra e líder da oposição, Yulia Timoshenko, após a assinatura.

A Frota russa do Mar Negro inclui meia centena de navios de guerra - encouraçados, fragatas, submarinos e navios varredores - e quase uma centena de aviões, enquanto a base de Sevastopol hospeda 18,5 mil soldados, entre militares e técnicos, além de seus familiares

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