Políticos colombianos e estrangeiros serão investigados por computadores das Farc

A Colômbia colocou ainda mais lenha na fogueira no episódio dos documentos comprometedores encontrados em computadores das Farc apreendidos pelo Exército: o Ministério Público anunciou nesta sexta-feira que a congressista Piedad Córdoba, aliada do presidente venezuelano Hugo Chávez, e uma constituinte equatoriana, entre outras pessoas, serão investigadas por ligação com os guerrilheiros.

AFP |

Em uma entrevista coletiva após uma visita a Washington, o promotor Mario Iguarán surpreendeu ao informar que, de acordo com o que havia sido achado nos computadores, Córdoba e os parlamentares Wilson Borja e Gloria Ramírez, do partido de esquerda Polo Democrático, teriam vínculos com a guerrilha.

As suspeitas também recaem sobre quatro estrangeiros: a constituinte equatoriana María Augusta Calle, seu compatriota Iván Larrea, o venezuelano Amilkar Figueroa, deputado do Parlamento Andino, e o professor universitário americano James Jones.

Dois jornalistas colombianos - Carlos Lozano, diretor da revista comunista Voz, e William Parra, do canal Telesur - e a diretora de uma ONG, Liliana Obando, também se encontram na lista, junto com o ex-candidato presidencial Alvaro Leyva e o ex-assessor de paz Lázaro Víveros.

Iguarán disse que as investigações serão realizadas "com base no relatório da polícia judicial sobre os computadores de Raúl Reyes", número dois das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, morto no dia 1º de março em um ataque do Exército colombiano a seu acampamento no norte do Equador.

"Meu trabalho a favor do acordo humanitário não tem volta. Esperarei com serenidade a investigação de meu juiz natural, que é a Suprema Corte de Justiça. Vou continuar trabalhando como facilitadora do acordo e não tenho medo da investigação", reagiu Piedad Córdoba.

A congressita qualificou o anúncio como "outra cortina de fumaça" lançada pelos aliados do governo de Alvaro Uribe para ocultar os vínculos de políticos aliados com paramilitares de ultradireita, que levaram vários deles para a prisão.

"A notícia me deixa um sabor amargo. Temos que encarar isso com muita calma, porque tudo o que sempre fiz foi pelo país e buscando a libertação dos seqüestrados", disse por sua vez Lázaro Viveros à AFP.

"Como membro das comissões da sociedade civil que tentava se aproximar da guerrilha, mantive uma relação muito estreita tanto com membros das Farc quanto com pessoas do governo", afirmou Carlos Lozano.

A administração do presidente Alvaro Uribe, envolvido em um escândalo da ligação de parlamentares governistas com paramilitares de ultradireita, comemorou o anúncio de Iguarán, ex-funcionário do ministério da Justiça cuja nomeação como promotor foi proposta por Uribe.

"Se alguém for cúmplice de grupos terroristas, que recaia sobre este todo o peso da lei", disse o ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos.

Encarregados por Uribe, a senadora Córdoba e o presidente venezuelano Hugo Chávez coordenaram junto às Farc um plano para conseguir a libertação de 39 reféns da guerrilha, entre eles a política franco-colombiana Ingrid Betancourt, mas a missão foi interrompida abruptamente em novembro do ano passado pelo próprio presidente colombiano.

No dia 15 de maio, um relatório da Interpol atestou que os arquivos encontrados nos computadores de Raúl Reyes são legítimos e não foram manipulados pelas autoridades colombianas.

Os documentos, cuja autenticidade foi questionada pelos governos do Equador e da Venezuela, revelam encontros de funcionários venezuelanos e equatorianos com líderes guerrilheiros, além de um empréstimo da ordem de milhares de dólares por parte do governo de Hugo Chávez.

O presidente venezuelano chamou o relatório da Interpol de "um show de palhaços".

Na terça-feira, os Estados Unidos exigiram que Chávez esclareça o propósito de sua relação com a guerrilha colombiana. Mais tarde, Washington declarou-se "surpreso" com a reação de Caracas e Quito ao trabalho da Interpol.

sab/ap/sd

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