Políticos buscam recuperação do Partido Social-Democrata alemão

Rodrigo Zuleta. Berlim, 8 set (EFE).- A dupla formada por Frank-Walter Steinmeier, como candidato à Chancelaria alemã, e o futuro presidente do Partido Social-Democrata (SPD), Frank Müntefering, iniciou hoje na Alemanha a luta pela recuperação da legenda, imersa em uma crise gerada por disputas internas e sua queda nas pesquisas.

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A chamada à unidade do partido e ao otimismo em relação às eleições de 2009, que o legenda se nega a reconhecer como perdidas, foram as mensagens mais destacadas do comparecimento conjunto dos políticos perante a imprensa.

No entanto, o que a opinião pública espera da nova cúpula do SPD - e o que seus críticos exigem - é, antes de tudo, uma série de posições estratégicas que não são fáceis, antes de tudo porque podem contribuir para aprofundar as desavenças ideológicas dentro do partido.

A candidatura à Chancelaria de Steinmeier, atual ministro de Assuntos Exteriores da grande coalizão, era algo esperado por todos os observadores. Por outro lado, não ocorria o mesmo com o retorno de Müntefering à chefia da legenda, após a súbita renúncia de Kurt Beck.

A saída de Beck ocorreu apesar de seus esforços nos últimos meses em fazer concessões à ala esquerdista e afastar-se da herança reformista do ex-chanceler Gerhard Schröder.

Para a esquerda, a renúncia de Beck e a ascensão de Steinmeier e Müntefering representam um duplo golpe, pois os dois políticos foram figuras-chave nas reformas de Schröder e na continuação das mesmas durante o Governo da grande coalizão.

No entanto, os dois políticos parecem conscientes de que, se querem a unidade do partido, não podem fazer propaganda das reformas de Schröder, contidas na chamada Agenda 2010.

Perguntado hoje a respeito, Steinmeier, um dos arquitetos da Agenda, negou que a decisão de empreender as reformas em 2002 e 2003 tenha sido correta, mas que agora é preciso buscar falar do futuro e dos novos desafios.

Já a União Democrata-Cristã (CDU), da chanceler Angela Merkel, transformou as reformas de Schröder e o caminho assinalado por estas em sua própria bandeira e não se cansa de demonstrar até que ponto o SPD se afastou da herança do ex-chanceler.

Merkel já disse que a meta das próximas eleições é conseguir uma aliança de Governo com o Partido Liberal (FDP), pois o atual membro de coalizão tem, segundo ela, um comportamento cada vez menos confiável.

O secretário-geral da CDU, Ronald Pofalla, reiterou várias vezes nas últimas horas que o SPD abandonou o centro e se situa agora na esquerda, e exigiu definições programáticas do membro da coalizão.

Uma delas é sua postura perante a Agenda 2010 e a outra sua relação com o partido A Esquerda, resultante de uma fusão entre o pós-comunista SPD e dissidentes social-democratas que rejeitavam a linha reformista de Schröder.

Müntefering e Steinmeier disseram hoje que não haveria cooperação com A Esquerda em nível federal em 2009, enquanto que no estado de Hessen, o líder regional do SPD, Andrea Ypsilanti, procura chegar ao poder com a ajuda desse agrupamento.

Os partidários de Ypsilanti foram aproveitados pela CDU e pelo FDP para pintar o fantasma de uma possível coalizão do SPD com A Esquerda em 2009, para passar a qualificar esse partido como incapaz de governar, devido a suas posições em política externa, de defesa e econômica.

Ypsilanti tem as mãos livres, já que as coalizões nos estados federados são questões da direção regional.

Em todo caso, a crise atual vem de longe e já em 1998, apesar da vitória eleitoral de Schröder, se previa uma cisão entre uma ala reformista e uma ala de esquerda, presidida naquela época por Oskar Lafontaine.

Lafontaine, por sua vez, terminou deixando o SPD e é um dos principais líderes do partido A Esquerda. EFE rz/ab/rr

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