Cidade do Vaticano, 13 nov (EFE).- As políticas sociais para aliviar as condições de vida dos brasileiros pobres foram o tema principal da reunião que mantiveram hoje o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o papa Bento XVI, no Vaticano.

Lula, que chegou no domingo à Itália, em visita de Estado, foi recebido hoje em audiência pelo papa, com quem conversou em particular durante 24 minutos.

Em uma nota, o Vaticano afirmou que "os cordiais colóquios" entre Lula e o papa "favoreceram uma proveitosa troca de opiniões sobre temas relativos à atual conjuntura internacional e regional".

Ambos abordaram alguns aspectos da situação no Brasil, "em particular, as políticas sociais para melhorar as condições de vida de tantas pessoas que vivem ainda com dificuldades e na marginalização", acrescentou o Vaticano.

Além disso, o papa estimulou Lula a "favorecer o papel fundamental da família na luta contra a violência e a deterioração social".

Durante a reunião, ressaltaram, além disso, "a colaboração entre a Igreja e o Estado para promover os valores morais e o bem comum não só no Brasil, mas também a favor da África".

A audiência serviu a ambos para lembrar a visita que Bento XVI fez ao Brasil em maio do ano passado por ocasião da 5ª Assembléia Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe em Aparecida.

Após lembrar esta visita, Lula convidou de novo o Pontífice a visitar o Brasil, ao que Bento XVI contestou: "Esperemos".

Lula chegou ao Vaticano acompanhado por uma delegação formada por 11 pessoas, entre elas sua mulher Marisa Letícia e os ministros de Relações Exteriores, Celso Amorim; da Defesa, Nelson Jobim e da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Após as tradicionais apresentações do séquito, Lula presenteou Bento XVI com uma coleção de estatuetas de cerâmica típica brasileira, que disse representar "as famílias que emigram por necessidade do norte ao sul (incluindo sudeste) do Brasil".

O papa presenteou Lula com a tradicional pluma estilográfica que dá aos chefes de Estado e de Governo e a coleção de medalhas de seu Pontificado.

Ao receber o governante brasileiro, o papa o agradeceu pelo acordo entre Brasil e o Vaticano que regulará alguns aspectos jurídicos da Igreja Católica em território brasileiro.

"Muito obrigado pelo acordo que vai se assinar depois", disse o papa ao receber o líder brasileiro.

O acordo, assinado sem a presença do papa, regulará alguns aspectos jurídicos da Igreja Católica no Brasil.

Entre eles, serão reconhecidos os títulos de estudo, o ensino religioso nas escolas públicas, as deliberações das sentenças eclesiásticas em matéria matrimonial e o regime fiscal.

Segundo o Vaticano, que não deu mais detalhes sobre este acordo, ele "consolida os tradicionais vínculos de amizade e de colaboração existentes entre as duas partes".

O acordo foi definido "histórico" por ambas as partes, já que faltava um reconhecimento jurídico da Igreja Católica como o que tem em numerosos países.

O Núncio Apostólico (representante do papa) no Brasil, Lorenzo Baldisseri, explicou em declarações à "Rádio Vaticana" que com este acordo "os sacerdotes e colaboradores pastorais poderão ter a liberdade de colaborar com estruturas sanitárias, penitenciárias e escolares".

A respeito da educação religiosa, o Núncio destacou que no estatuto se fala não só da religião católica, mas também do resto de confissões.

"Com isto se quer garantir a toda a sociedade brasileira -seja qual seja sua cultura, suas crenças ou seu credo- um ensino religioso nas estruturas públicas. Abrimos assim a porta não só aos católicos, mas também às demais religiões", acrescentou.

Após a visita de hoje ao Vaticano, Lula iria viajar de Roma a Washington, onde no sábado participará da cúpula do G20. EFE ccg/jp

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