Política, não genética, determinar saúde global, diz OMS

Um estudo divulgado nesta quinta-feira pela Organização Mundial de Saúde aponta que fatores sociais, mais do que a genética, são os responsáveis pela enorme variação dos níveis de saúde e expectativa de vida da população mundial. Fruto de três anos de pesquisas, o relatório conclui que as injustiças sociais estão matando as pessoas em larga escala.

BBC Brasil |

"A combinação tóxica de políticas sociais e econômicas ruins é uma das grandes responsáveis pelo fato de que a maioria das pessoas no mundo não possa usufruir de boa saúde", aponta o estudo.

O relatório da comissão destacada pela OMS aponta que em quase todos os países, condições sociais e econômicas ruins estão ligadas a más condições de saúde.

A comissão responsável pelo estudo alerta os governos sobre como suas políticas podem ter impacto direto na saúde e afirma que é possível reduzir as desigualdades nestas condições em um período relativamente curto de tempo.

"Há exemplos de lugares em que as desigualdades de saúde diminuíram, mas em grande parte dos casos, ela está ficando maior", declarou o líder da comissão, Sir Michael Marmot, à radio BBC 4.

"Nós confiamos muito nas intervenções médicas como um modo de aumentar as expectativas de vida, mas um meio mais eficiente seria se cada política governamental e programa fosse guiado pelo impacto que possa ter na saúde", declarou Marmot.

O relatório aponta educação, moradia acessível, proteção social e a administração do acesso a alimentos pouco saudáveis como pontos-chave para estas melhorias.

A comissão ainda diz que os governos deveriam agir no sentido de aumentar salários e melhorar condições de trabalho.

Desigualdades internas
"Nossas crianças têm expectativas de vida dramaticamente diferentes dependendo do lugar onde nasceram. No Japão e na Suécia elas podem esperar viver mais de 80 anos; no Brasil, 72 anos; na Índia, 63; e em muitos países da África, menos de 50. Mesmo dentro dos países as diferenças são dramáticas", aponta o estudo.

Segundo o relatório, um australiano descendente de povos aborígines, por exemplo, tem uma expectativa de vida 17 anos menor do que outros homens australianos da mesma idade.

Já um bebê nascido na Bolívia de uma mãe sem escolaridade tem 10% de chances de morrer cedo, enquanto este nível pode cair para 0,4 % de chances se a mãe tiver estudado até o nível secundário.

O relatório aponta também que o crescimento econômico de um país não tem necessariamente relação com uma melhoria nos níveis da saúde. Sem a distribuição dos benefícios, na verdade, o crescimento econômico pode exacerbar as desigualdades.

Além disso, países relativamente pobres, como Cuba, Costa Rica e Sri Lanka conseguiram atingir bons níveis de saúde.

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