Política externa exige trabalho árduo de Obama nos primeiros dias

Macarena Vidal. Washington, 19 jan (EFE).- O futuro presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, terá de trabalhar imediatamente para enfrentar uma série de grandes desafios no exterior, entre eles os conflitos no Iraque e no Afeganistão e a crise em Gaza.

EFE |

O presidente eleito já destacou que um de seus objetivos será o de reparar a imagem dos EUA no exterior, prejudicada depois de oito anos de mandato de George W. Bush e do conflito no Iraque.

Durante o período de transição, Obama se mostrou especialmente interessado em criar relações com o mundo muçulmano e assegurou que este ano quer discursar em uma capital islâmica.

O presidente eleito acredita que tem "uma oportunidade única para restabelecer a imagem dos EUA no mundo e no mundo islâmico em particular", e espera criar "uma relação de respeito mútuo".

Sua prova de fogo nesse sentido chega antes que o previsto. Sua posse coincide com a operação do Exército israelense contra o Hamas em Gaza e que já deixou, segundo fontes palestinas, mais de mil mortos.

Obama não quis se pronunciar sobre a situação, mas assegurou que depois de assumir o poder buscará se envolver de forma profunda no Oriente Médio para tentar chegar a uma solução para o conflito.

Os olhos do mundo também estarão voltados para Obama com relação ao conflito no Iraque, depois de ter prometido durante a campanha eleitoral que acabaria com a ocupação do país asiático, atendendo a uma vontade da maioria dos americanos, segundo as últimas pesquisas.

Até o momento, o futuro presidente optou por confirmar como secretário de Defesa o atual dono do posto, Robert Gates, para evitar um vazio de poder no Pentágono em meio a dois conflitos bélicos.

No Iraque, está em vigor um acordo assinado recentemente entre Washington e Bagdá que prevê a continuidade das tropas americanas até 2011 e, o número de soldados, atualmente em torno dos 150 mil, será reduzido gradualmente.

Por outro lado, aumentarão os destacamentos no Afeganistão. O chefe do Estado-Maior dos EUA, Mike Mullen, já anunciou no final de dezembro que até meados do ano praticamente dobrará o número de soldados americanos no país asiático.

Obama acompanhará com atenção os acontecimentos no Paquistão. As forças dos EUA consideram que os extremistas afegãos estão refugiados na área fronteiriça do nordeste paquistanês e as autoridades acreditam que o grupo Lashkar-e-Taiba usou essas regiões para organizar os atentados perpetrados em novembro em Mumbai.

O presidente eleito, que diariamente recebe informações do serviço secreto americano, esteve em contato permanente com sua equipe de segurança nacional, que será liderada por Hillary Clinton à frente do Departamento de Estado, para traçar a política a ser seguida a partir de 20 de janeiro, dia de sua posse.

A senadora deve, em comum acordo com Obama, ressuscitar uma prática quase esquecida durante o mandato de Bush: o uso de enviados especiais a pontos conflituosos do globo.

No novo Governo, o próprio Obama mostrou disposição em se reunir, caso sejam dadas condições necessárias para isso, com líderes de países "inimigos", como o iraniano Mahmoud Ahmadinejad e o cubano Raúl Castro.

Mas, no início de seu mandato, os objetivos mais ambiciosos estarão condicionados à solução da atual crise financeira.

Uma das primeiras viagens ao exterior do novo presidente será ao Reino Unido, para participar da próxima cúpula do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países mais ricos e os principais emergentes) em abril, pouco depois de ter completado 100 dias de mandato.

A América Latina, região relativamente estável, deverá esperar sua vez para receber grande atenção por parte do novo líder americano. No entanto, também em abril, Obama deve assistir à Cúpula das Américas, em Trinidad e Tobago. EFE mv/fr

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