Policial que apagou anotações sobre Jean Charles é inocentado

Londres, 26 mai (EFE).- Um policial que admitiu ter alterado anotações sobre a morte do brasileiro Jean Charles de Menezes, baleado no metrô de Londres em 2005 por agentes que o confundiram com um terrorista suicida, foi inocentado hoje da acusação de ter agido de má-fé.

EFE |

Segundo informa a Comissão Independente de Queixas Policiais (IPCC, em inglês), o agente foi ingênuo e não teve má intenção quando decidiu apagar de seu computador parte dos dados que havia coletado sobre a morte de Jean Charles.

Em 22 de julho de 2005, o brasileiro, de 27 anos e eletricista de profissão, recebeu oito tiros disparados por agentes da divisão antiterrorista da Scotland Yard.

O jovem foi confundido com um dos autores dos atentados fracassados do dia anterior na capital britânica.

O agente investigado, identificado com o nome fictício de "Owen", participou do acompanhamento de Jean Charles e em outubro admitiu, durante a investigação pública sobre o caso, que tinha apagado do computador uma frase atribuída a Cressida Dick, a subcomissária da Polícia encarregada das operações especiais.

A frase que "Owen" atribuiu a sua chefe e que posteriormente apagou dizia assim: "pode entrar no metrô porque não leva nada".

Segundo o depoimento perante os responsáveis pela investigação pública, ao recuperar as notas sobre a operação e repassá-las, ele comprovou que havia "alguns erros", por isso que decidiu "apagar a frase" que identificou como "errônea e enganosa".

A IPCC concluiu que o agente "atuou apenas" na hora de apagar a informação, que demonstrou "falta de compreensão" sobre como devia se comportar, mas que não cometeu nenhum delito.

"Não há evidência de um engano deliberado neste caso por parte do Serviço de Polícia Metropolitana em seu conjunto nem por parte de um indivíduo que faça parte dele", explicou a comissão.

Nenhum policial foi processado pela morte de Jean Charles, apesar de a investigação pública realizada sobre sua morte ter demonstrado que foram cometidos vários erros, desde a parte mais alta da cadeia de comando, até os agentes que participaram diretamente da ação. EFE fpb/rr

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