Um policial que admitiu ter alterado suas anotações sobre o que aconteceu no dia da morte do brasileiro Jean Charles de Menezes foi inocentado em um inquérito realizado pela Comissão Independente de Queixas contra a Polícia (IPCC, na sigla em inglês) na Grã-Bretanha.

O policial, identificado apenas como Owen, admitiu ter apagado uma linha de um arquivo de computador antes de prestar depoimento, em outubro do ano passado, aos jurados que investigavam as circunstâncias da morte do eletricista, de 27 anos, dentro de um vagão do metrô de Londres, em 22 de julho de 2005.

Jean Charles levou sete tiros na cabeça após ser confundido pela polícia com um suposto terrorista que havia participado de um ataque frustrado à rede de transportes da capital britânica no dia anterior.

A nova investigação concluiu nesta terça-feira que o oficial agiu com inocência e sem má-fé ao ter feito as alterações e, por isso, não poderia ser culpado de tentar, propositalmente, enganar alguém.

Originalmente, as anotações diziam que Cressida Dick, a comandante da operação que culminou na morte do brasileiro, havia dito que Jean Charles poderia "entrar no metrô porque não estava carregando nada".

Mas o policial disse que acreditava que a frase estava "errada e que ela dava uma falsa impressão" e, por isso, a apagou.

Papel periférico

Na operação envolvendo Jean Charles, Owen atuou como supervisor acompanhando os acontecimentos a partir de uma sala de controle na sede da Scotland Yard.

A IPCC concluiu que Owen agiu sozinho ao não divulgar e apagar a anotação, e que demonstrou uma "falta de entendimento" na forma como deveria ter se comportado. No entanto, afirmou a IPCC, o policial "não cometeu uma infração".

"Não há evidência de erro proposital nesta instância pela polícia metropolitana como um todo ou por um indivíduo dentro da corporação", diz o documento final.

O relatório da comissão ainda afirma que o papel do oficial era "periférico" e que ele tinha um "entendimento limitado" do que estava sendo discutido.

A vice-diretora da IPCC Deborah Glass disse que o policial foi "consistente" em sua explicação sobre por que apagou a anotação.

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