Agente da polícia da província de Paktika atirou contra membros da força local afegã de madrugada, roubou as armas e conseguiu fugir

Um agente da polícia local afegã, supostamente envolvido com a insurgência, matou nove de seus companheiros enquanto eles dormiam na província de Paktika.

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Mukhles Afghan, porta-voz da província localizada na volátil região leste do país, disse que o membro das milícias locais - recrutadas por Cabul para atuar como agentes policiais - conseguiu fugir após matar seus companheiros no distrito de Yhaya Khel.

Membros das forças de seguranças afegãs buscam militantes do Taleban em Kandahar, no sul do Afeganistão (13/3)
AP
Membros das forças de seguranças afegãs buscam militantes do Taleban em Kandahar, no sul do Afeganistão (13/3)
O atirador abriu fogo com um rifle depois de se levantar às 3h da manhã para tomar o comando do posto da Polícia Local Afegã na província de Paktika, matando todos no local. Depois do ataque, ele tomou as armas dos policiais mortos, colocou-as em um veículo e fugiu.

O incidente é o mais recente de uma série de ataques por membros das forças afegãs contra seus próprios integrantes ou contra tropas estrangeiras no Afeganistão.

Depois da ação do agente da polícia, as forças de segurança detiveram outros dois membros da milícia local, mas o autor dos disparos conseguiu escapar.

Apesar de uma fonte do governo citada pela agência local AIP garantir que o autor dos disparos tem vínculos com a insurgência local, a informação não foi confirmada pelo porta-voz da província.

Os talibãs reivindicaram o ataque por meio de um comunicado em seu site, e informaram que o agressor, identificado como Sanaullah, estava infiltrado nas forças do governo.

"Após o ataque contra as 'marionetes' (denominação talibã para as forças de segurança e as milícias favoráveis ao governo), ele fugiu com um veículo policial com armas e munição", indicou o texto.

Problemas

Apesar de seu apoio ao governo no Afeganistão, as milícias locais têm apresentado problemas para o governo pelas constantes denúncias feitas contra seus agentes.

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Há seis meses, a ONG Human Rights Watch (HRW) denunciou em um relatório que as milícias e os corpos de polícia locais, auxiliados pelo governo afegão e o apoio dos Estados Unidos, cometeram "sérios crimes" com impunidade.

"O governo afegão respondeu à insurgência reativando as milícias, que ameaçam as vidas dos afegãos", segundo a HRW.  A ONG internacional acusa ainda o Executivo de não fazer "uma supervisão adequada" de suas ações.

*Com AP e EFE

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