Policial é morto em novo ataque na Irlanda do Norte

Um policial foi morto a tiros na noite desta segunda-feira em uma emboscada na cidade de Craigavon, a cerca de 40 quilômetros de Belfast, capital da Irlanda do Norte. O incidente acontece apenas dois dias após um outro ataque ter matado dois soldados britânicos e ferido outras quatro pessoas no quartel de Massereene, no condado de Antrim, ao norte de Belfast.

BBC Brasil |

Esta foi a primeira vez em mais de 10 anos que um policial em serviço é morto na Irlanda do Norte, onde um frágil acordo de paz entre protestantes unionistas (que defendem a união com o Reino Unido) e nacionalistas católicos (que querem a independência da região) está em vigor há alguns anos, após um sangrento conflito que durou décadas.

O ataque desta segunda-feira aconteceu depois de policiais terem sido destacados para investigar uma denúncia de atividades suspeitas em uma área predominantemente católica da cidade.

Duas viaturas foram enviadas para o local. Quando os policiais saíram de um dos veículos, tiros começaram a ser disparados. Até o momento, nenhum grupo assumiu a autoria do atentado.

O ataque do último sábado - que registrou as primeiras mortes de soldados britânicos na Irlanda do Norte em 12 anos - foi assumido por um grupo que se autointitula IRA Real, uma dissidência do IRA (Exército Republicano Irlandês), grupo nacionalista que abandonou as armas no final da década de 1990.

O secretário britânico para a Irlanda do Norte, Sean Woodward, condenou o ataque desta segunda-feira e insistiu que os últimos atentados não irão comprometer o processo de paz na região.

"Parece que este pequeno grupo de criminosos tem, no momento, a capacidade de tirar a vidas. Mas o que eles nunca terão é a capacidade de tirar das pessoas o processo de paz e os progressos políticos que foram feitos", afirmou.

"Meu trabalho e de todos os políticos na Irlanda do Norte é dar ao povo o que ele quer: liberdade, o domínio da lei e democracia", completou Woodward.

Já o primeiro-ministro do governo autônomo da Irlanda do Norte, Peter Robinson, membro do Partido Unionista Democrático (DUP, na sigla em inglês) descreveu o último atentado como "um ato maligno".

"Estou enojado com as tentativas de terroristas para desestabilizar a Irlanda do Norte. Os responsáveis por estes atos assassinos não conseguirão levar a nossa província de volta ao passado", completou Robinson.

Já Alex Maskey, do Sinn Fein, braço político dos nacionalistas da Irlanda do Norte, afirmou que o assassinato do policial é "outra terrível tragédia".

"Eu gostaria de apresentar minhas condolências à família dele (do policial morto) e expressar nossa repulsa e irritação por isso ter acontecido novamente esta noite, depois (do atentado) do final de semana".

Desde 2007, a Irlanda do Norte é governada por uma coalizão formada pelo DUP e o Sinn Fein.

Horas antes do atentado desta segunda, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, fez uma visita à Irlanda do Norte e afirmou que não vai permitir que o ataque do final de semana atrapalhe anos de progresso na região, onde um acordo de paz firmado em 1998 pôs fim a décadas de conflito civil.

"O que eu vi nesta manhã é a unidade do povo da Irlanda do Norte e a unidade dos partidos políticos", afirmou Brown. "Eles vão continuar trabalhando juntos e querem mandar uma mensagem ao mundo, assim como eu: a de que o processo político não será abalado."

Também nesta segunda-feira, o Exército britânico divulgou os nomes dos dois soldados mortos no último sábado: Mark Quinzey, de 23 anos, e Cengiz "Patrick" Azimka, de 21.

O comandante do Exército na Irlanda do Norte, George Norton, afirmou que ambos eram "indivíduos maravilhosos", mortos em um ataque "insensível". Os dois estavam se preparando para serem enviados ao Afeganistão.

Quatro outras pessoas ficaram feridas no ataque do último sábado, entre elas, dois entregadores de pizza.

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