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Policial diz que Scotland Yard era caos no dia em que matou Jean Charles

Londres, 9 out (EFE).- Um policial que participou da operação que matou o brasileiro Jean Charles de Menezes criticou hoje o caos e a falta de comunicação que marcaram a Scotland Yard naquela ação.

EFE |

Jean Charles, então com 27 anos, foi baleado à queima-roupa na estação de metrô de Stockwell (sul de Londres), em 22 de julho de 2005, por dois policiais que o confundiram com um dos terroristas que, na véspera, tentaram um atentado contra a rede de transportes.

Ao depor sob anonimato, na investigação sobre a morte do brasileiro, o policial afirmou que, no dia da operação, não tomou conhecimento de que Jean Charles tivesse sido identificado como o suspeito Hussain Osman.

A testemunha, um chefe de operações da unidade especial - encarregada de casos de segurança nacional - explicou que na sala de controle da Polícia Metropolitana de Londres (Scotland Yard) havia muito "barulho" nesse dia e que nem sabia quem estava no comando.

"Não havia linhas claras de comunicação", admitiu perante o júri, no estádio de críquete "Oval", no sul de Londres.

O policial, que durante a audiência se identifica com o nome fictício "Brian", disse que "havia mais barulho do que o normal.

Havia muitos agentes em uma sala pequena", descreveu.

"Brian", responsável pelas tarefas administrativas na sala de controle, disse que o barulho não diminuiu, até o ponto em que não conseguia ouvir pessoas que estavam muito perto.

A testemunha explicou que ninguém se apresentou como o oficial no comando daquele dia, embora oficialmente esta função fosse da subcomissária Cressida Dick, que ele teria que auxiliar.

Ele afirmou que nunca soube se Jean Charles havia sido identificado como o terrorista, quando foi baleado.

"Soube quando dispararam, mas, pelo que eu pude perceber na sala, a sensação era de que o baleado não tinha sido identificado", afirmou "Brian", que posteriormente negou que suas acusações se devessem a uma suposta rivalidade entre departamentos.

A subcomissária Cressida Dick, que prestou depoimento de segunda a quarta-feira, negou que ela ou seus agentes tivessem feito qualquer coisa "incorreta" na operação e que é possível pessoas inocentes morrerem em circunstâncias extraordinárias. EFE jm/jp

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